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quarta-feira, 10 de junho de 2020

ARISTIDES SOUSA MENDES NO PANTEÃO NACIONAL

Aristides Sousa Mendes é um herói português, de quem o Estado português sempre teve vergonha. 
O homem que foi contra Salazar, contra o politicamente correto, contra a hipócrita etiqueta diplomática, mas a favor da humanidade, da vida, de milhares de homens, mulheres e crianças que conseguiram fugir  de um destino trágico, criado por um louco que perseguia o ideal de extermínio dos judeus.

Apesar de todas as reabilitações públicas, o poder político sempre teve um certo pejo em assumir a sua herança humanista, no entanto, lentamente essa inércia ética vai-se esbatendo e por estes dias o parlamento português aprovará um projeto de resolução que visa dar honras de panteão nacional a Aristides Sousa Mendes.

O projeto é da deputada Joacine Katar Moreira e parece reunir amplo consenso entre os vários partidos políticos, ainda que não note grande entusiasmo em nenhum deles. Pouco importa! O que é relevante é que a memória dos seus atos não se apague e, pelo contrário, as gerações mais novas de portugueses respirem os seus ideais humanistas, a sua coragem política e diplomática, a maneira com soube valorizar a vida.

É certo que o panteão nacional não é um lugar icónico da portugalidade nem um dos mais turísticos, mas o seu simbolismo é inegável e através dele podemos percecionar muito do que fomos e somos enquanto país e povo.
Quando, daqui a um ano ou a década, um jovem visitar o Panteão e indagar sobre os feitos dos heróis que lá são evocados, poderá aprender sobre a simbólica coragem portuguesa, em tempos de cobardia e taticismo político, durante a segunda guerra mundial. 

E certamente abrirão um sorriso longo e satisfeito, que iluminará a face satisfará a alma. Aristides Sousa Mendes foi e é esse raio de esperança com carimbo português, no passaporte da vida.

GAVB

domingo, 19 de julho de 2015

ARISTIDES SOUSA MENDES - UM TRATADO DE HUMANIDADE



Passam hoje 130 anos do nascimento de Aristides Sousa Mendes, o cônsul de Portugal em Bordéus, quando a rebentou a Segunda Guerra Mundial e que se destacou por passar milhares de vistos a judeus, para se refugiarem em Portugal da mortal perseguição nazi, contrariando a ordem expressa do governo de Salazar.
Não me quero deter sobre os dados da extraordinária história vivida por Aristides Sousa Mendes naqueles loucos meses dos anos de 1939 e 1940, nem vou discutir se salvou mil, dez mil ou trinta mil pessoas. O importante, e isso é inegável, é a dimensão do que fez: sucessivos atos de coragem, liberdade e humanidade.
Usou o cargo que tinha para salvar pessoas, para afirmar a vitória da humanidade sobre a barbárie.
Violou regras, desrespeitou ordens, colocou o país numa posição difícil a nível diplomático, em plena guerra mundial? É verdade, mas isso é tão pequenino e insignificante, sem o ser, quando comparado com as vidas de gente inocente que salvou.
A política não pode ser só tática, interesse, jogo. A política serve para ajudar as pessoas e a sobrevivência é a ajuda mais fundamental que podemos prestar a alguém.
 Os grandes homens, os grandes políticos, aqueles que querem inscrever o seu nome na história dos povos como verdadeiros estadistas não se acobardam perante as circunstâncias ou opiniões públicas sectárias e cegas pelo ódio.

Nos últimos meses lembrei-me várias vezes do mais famoso cônsul da história de Portugal, por causa do problema dos migrantes no mediterrâneo. Como são tristes notas de rodapé da História atitudes como a de Angela Merkel, ainda esta semana, ao anunciar que alguns dos refugiados palestinianos não poderiam ser recebidos pela Alemanha, porque a política é uma coisa dura, desumana, interesseira.

Com uma sensibilidade horripilante, Merkel arrasou o sonho duma adolescente palestiniana que não conseguirá entender jamais as prioridades da chanceler alemã.
Recordar Aristides Sousa Mendes não pode ser apenas lembrar um homem bom, humano, corajoso, porque o seu exemplo não frutificou. É preciso tornar o seu exemplo um farol que ilumine as consciências daqueles que nos governem. A liberdade e a humanidade são valores absolutos que jamais poderão estar sujeitos a jogos de conveniência.
Gabriel Vilas Boas