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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

EXPLORAÇÃO NOS BASTIDORES DA TELEVISÃO PORTUGUESA

Corajosamente, a atriz Ana Sofia Martins denunciou a exploração laboral a que a equipa ténica da telenovela da TVI "Ouro Verde"é submetida pela produtora Plural.
Aproveitando so holofotes proporcionados pela conquista do Emmy, em Nova Iorque, ana sofia desabafou.

«Ganhámos um Emmy! Que sensação boa termos o nosso trabalho reconhecido. Quando digo nosso não é o das pessoas que aparecem na TV, até porque sem os técnicos não somos absolutamente nada. Técnicos esses que são explorados a nível salarial e psicológico. Trabalham doze horas po dia,  a contratos temporários, sem segurança.»

Obviamente a TVI (como a SIC ou a RTP) lavam as mãos à maneira de Pilatos, usando as produtoras como intermediários e assim eximindo-se a uma culpa que têm por omissão e conivência.
É preciso a coragem de alguns atores, para que o público conheça a péssima formação pessoal de quem comanda o glamouroso mundo da televisão porque a concentração de meios de comunicação social num ou em dois grupos económicos ergueu um muro de silêncio, sem vergonhice e impunidade, que só é quebrado quando alguém explode nas redes sociais.
GAVB 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

MADRE PAULA


A RTP estreia, hoje, uma série sobre os amores proibidos do rei D. João V e uma feira do Convento de Odivelas. Baseado no romance histórico de Patrícia Müller, a produção televisiva vai centrar a sua ação naquilo que é mais apelativo, excitante, comercial do reinado de D. João V, mas claramente o menos significativo.


Quase toda a gente sabe que o Convento de Odivelas foi o «bordel» real da primeira metade do século XVIII; que inúmeras histórias de sexo, traições, luxúria aconteceram naquele espaço; é do conhecimento geral que a nobreza que gravitava em volta do Magnânimo aproveitava as facilidades de comunicação que o rei tinha no Convento para fazer companhia ao rei nos seus devaneios sensoriais, mas o reinado de D. João talvez merecesse uma abordagem mais histórica aos olhos do público do século XXI.  


O que não faltam são histórias de reis e rainhas com os seus affairs proibidos nas cortes europeias. Mais freira menos amante, o guião é fácil de construir, mas finda a série pouco fica retido de um período histórico importantíssimo, a vários níveis, História de Portugal.

A melhor maneira de aprender História é quando ela nos chega de surpresa, embrulhada num bom filme ou série e não é qualquer documentário nos canais temáticos da área.

No reinado de D. João V houve um fortíssimo investimento nas artes e na cultura, que deram um salto qualitativo enorme. Relembro, por exemplo, a construção da fabulosa Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra, a extraordinária cúpula da basílica do Convento de Mafra, a introdução da ópera italiana na Corte.
A excelência artística foi, para mim, o traço mais distintivo do reinado de D. João V. Construir uma série que fizesse brilhar esse importante legado cultural do Magnânimo em vez de centrar a ação nas conhecidas traições do rei (por mais proibidas e excitantes que possam ser para o espetador) tinha sido uma opção mais frutuosa, ainda que mais trabalhosa e mais cara.

GAVB

sábado, 28 de fevereiro de 2015

MR. SPOCK: DEFINITIVAMENTE A CAMINHO DAS ESTRELAS


Poucas horas antes de falecer, o ator Leonard Nimoy escreveu no seu twitter: “A vida é como um jardim. Os momentos vividos não podem ser guardados exceto na memória”.
E a nossa memória guardará para sempre a personagem do Mr. Spock, da série “STAR TREK A CAMINHO DAS ESTRELAS”, que prendeu, ao ecrã da televisão, uma legião de fãs da ficção científica, que acompanhava o capitão Kirk e o inefável Mr. Spock e as suas orelhas pontiagudas tão características.
Leonard Nimoy, o ator que ontem faleceu vítima de doença pulmonar causada pelo tabaco, nunca conseguiu sair dessa personagem mítica que lhe marcou a carreira. Aliás, em dois livros autobiográficos, o ator não deixa de refletir o incómodo pela excessiva colagem da máscara da personagem à do ator, mas não houve nada a fazer. Nimoy será sempre o Mr. Spock.
E no fundo Leonard Nimoy não tem que se queixar: de ator secundário passou a símbolo da cultura popular, da televisão e do cinema. 

Ganhou fama na televisão e expandiu-a no cinema, onde participou nos primeiros filmes que aproveitaram o estrondoso êxito na série televisiva. O público gostava das suas orelhas pontiagudas, a franja aparada ao pormenor, adorava aquele ser meio vulcano, meio humano, membro da tripulação da USS Entreprise, a nave espacial que tinha por missão explorar novos mundos por mandato da Federação dos Planetas. Era o cientista racional para fazer contra ponto ao aventureiro capitão James T. Kirk (William Shatner).

A carreira de Nimoy não foi apenas apenas feita de viagens extraterrestres nem de ficção científica. Além de ator, foi encenador, poeta, música, fotógrafo. Numa palavra: um artista de corpo e de alma e uma pessoa muito querida no meio cinematográfica. Como acontece com muitos atores, Nimoy tinha muito de Mr. Spock. Talvez por isso, Leonard Nimoy tenha escrito uma segunda autobiografia, simplesmente para reconhecer que “I am Spock”.

Agora definitivamente a caminho das estrelas, poucas dias depois da entrega dos óscares, Leonard Nimoy merece o nosso aplauso e o nosso obrigado pelos bons momentos que nos proporcionou, nas décadas de setenta e oitenta do século XX.
Gabriel Vilas Boas