As aulas terminaram! A maioria dos professores está
extenuada, apesar de muitos deles ainda terem exames para corrigir e algum
trabalho burocrático para fazer. É assim todos os anos, mas não devia!
Agora a classe docente devia estar a preparar-se para sua
reciclagem obrigatória! Formação.
Não aquela formação feita para constar e absolutamente
necessária para progredir na carreira (quando isso voltar a ser possível), mas
a formação que é necessária para não alargarmos o fosso para os alunos, para
não cristalizarmos numa forma de ensinar que aprendemos há trinta anos.
Os alunos, as escolas, a sociedade nunca serão aquilo que
queremos, aquilo que idealizamos e lutar contra isso é tempo perdido e um
desgaste enorme, além de ficarmos desfasados e azedos.
Há anos que penso que a Formação é fundamental para darmos
um pulo de qualidade e nos sentirmos realizados na profissão. Uma formação que
nos tire o foco das aulas teóricas, que nos ensine a largar o comando da aula,
que nos instrua a usar as tecnologias que os alunos usam em prol daquilo que
ensinamos, que nos faça trabalhar a partir daquilo que temos e não daquilo que
gostaríamos de ter (alunos, escola, colegas encarregados de educação, instalações...).
Todas as profissões foram fazendo lentamente a sua
reciclagem. Hoje médicos, bancários, advogados, empresários são profissionais muito diferentes daquilo que eram há duas décadas…
Só a classe docente
se foi deixando ficar, à espera que o ME encaminhasse a Formação. Isso não
aconteceu nem vai acontecer. São os professores que a têm de procurar.
Ou então criá-la para os colegas. Entre os professores há gente que já trilhou o
caminho das pedras e foi experimentado novas formas de ensinar. Algumas delas
sistematizaram novos métodos e estão disponíveis para passá-los aos colegas. É preciso requisitá-los, ouvi-los com
humildade e adaptar o que têm para dizer à realidade de cada um.
Precisamos de reaprender a ensinar, para voltar a ter gosto
naquilo que ensinamos, para vermos outro tipo de fruto do nosso trabalho, para
não acabarmos sempre o ano letivo extenuados e um pouco frustrados.
GAVB


