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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

UNFORGETTABLE, de Nat King Cole

Passam hoje cinquenta anos que o inesquecível Nat King Cole faleceu. Tal como premonitoriamente anunciava uma das suas canções mais célebres, ele tornou-se unforgettable, porque tinha uma voz tão melodiosa e doce que foi impossível esquecê-lo.
Nat King Cole soube pacientemente suportar as injustiças do mundo, vencer o racismo e impor a força da beleza da sua voz.
Unforgettable é uma canção lindíssima, uma extraordinária declaração de amor de um homem sensível a uma mulher única.
Adoro o modo como Nat King Cole gere o ritmo descontraído e preguiçoso de “Unforgettable”, como que dando oportunidade ao ouvinte de saborear lentamente cada verso, cada nota como se de um doce se tratasse.
Recordar a voz enternecedora com que declara:
Unforgettable in every way
And forever more, that’s how you’ll stay
é permitir que a beleza da música entre pela nossa alma e transporte o nosso coração a um prazer suave e eterno.
A vida de cada um de nós está cheia de pessoas inesquecíveis, que nos fizeram e fazem sorrir e sonhar, que nos fazem felizes em cada gesto ou em cada palavra. Nat King Cole conseguiu alcançar esse estatuto na música, devido ao modo como soube combinar uma voz límpida, poderoso e cativante com melodias cheias de uma desconcertante paixão serena.
A música de Nat King Cole parece uma deusa caminhando na brisa da tarde: romântica, delicada, tocante, harmoniosa. De vez em quando, todos voltamos a ela, porque a sua voz nos relaxa, nos faz sorrir e nos delicia. Ser inesquecível parece tão fácil, mas poucos são aqueles que habitam o Olimpo de Mr. Nate King Cole.

Gabriel Vilas Boas

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O DIA DO BEIJO


Hoje é Dia Internacional do Beijo. Quase todas as artes dedicam-lhe obras extraordinárias. Encontramos facilmente poemas belíssimos sobre o Beijo, a estátua mais famosa de Rodin tem o beijo como tema, Klimt atingiu a fama através do «seu» Beijo, o cinema tem ensinado muito sobre a arte de beijar e a música não fica atrás, criando alguns temas que traduzem sonoramente toda a deliciosa volúpia dum beijo. Na verdade, beijar é, em si, uma arte!

No mundo da música escolheria duas canções para emoldurar o dia: “Solta-se o Beijo” da Ala dos Namorados e "Bésame Mucho", escrita há 75 anos pela mexicana Consuelo Velásquez e que rapidamente se tornou numa das músicas iconográficas do século XX, sendo gravada por dezenas de artistas em todo o mundo, entre os quais se contam os Beatles, Nat King Cole, Edith Piaf, Andrea Bocelli, Caetano Veloso, Sinatra, Louis Armstrong. Em 1999, foi reconhecida como a canção mais cantada e gravada, de sempre, em língua espanhola. De todas as versões, aprecio bastante a de Nat King Cole, pois acho que capta como ninguém toda a beleza e sensualidade da música, criando um clima propício para passarmos do pensamento aos atos.
Se repararmos na letra, verificamos que o Beijo cantado encanta e conduz-nos ao sonho, através do prazer dos sentidos.



Querida
Si si me dejas
Cada pequeño sueño llevaría ala, y mi vida sería a través de

Bésame mucho
Me encanta siempre y hacer realidad todos mis sueños
Bésame mucho,
Bésame mucho.

Esta alegría es algo nuevo
Mi brazos enfoldong
Sabía que esta emoción antes de
Quien pensó sería
Te retiene cerca de mí
Susurrando "es que me encanta"
Querida
Si si me dejas
Cada pequeño sueño llevaría ala, y mi vida sería a través de

Bésame mucho
Me encanta siempre y hacer realidad todos mis sueños
Bésame mucho,
Bésame mucho.





Em “Solta-se o Beijo”, composição criada por Catarina Furtado e João Gil e interpretada pela Ala dos Namorados e Sara Tavares, temos uma sonoridade mais moderna, com um ritmo mais rápido e uma sugestão de paixão não menos intensa. Ao som das maracas que nos recorda quanto latino é um beijo, assistimos a um diálogo masculino/feminino que nos lembra os intervenientes do beijo namorado e enriquece a sonoridade da música.
A música sugere bem todo o jogo de sedução amorosa que o beijo pressupõe, recordando situações, impressões, emoções associadas ao mágico momento do beijo.

 “Aconchego-me nesta cumplicidade
Deixo-me ir nos trilhos traçados
Pela saudade de te encontrar
Ainda onde te deixei
Trago-te o beijo prometido
Sei o teu cheiro mergulho no teu tocar
Abraças a guitarra e voas para além da lua
Amarro o beijo que se quer soltar
Espero que me sintas para me entregar
A cadeira, as costas, o cabelo e a cigarrilha
A dança do teu ombro...
E nesse instante em que o silêncio
É o bater do coração
Fecha-se a porta
Pára o relógio”

Mas o melhor é ouvir com atenção e depois passar à prática, porque toda a arte precisa de muito treino.

Gabriel Vilas Boas


domingo, 15 de fevereiro de 2015

DE GALILEU A NAT KING COLE - SÉCULOS DE INTOLERÂNCIA


Entre Galileu e Nat King Cole há mais de três séculos de História que encontram no dia 15 de fevereiro um ponto de intercepção: Galileu nasceu no dia em que Nat King Cole faleceu.
O mundo devia apenas conhecê-los como cientista e músico brilhantes, mas as suas vidas ficaram marcadas pela intolerância dos seus contemporâneos.
O brilhante matemático, astrónomo e físico italiano teve de abjurar as suas mais extraordinárias conclusões científicas sobre a teoria heliocêntrica perante o lamentável tribunal do santo ofício enquanto Nat King Cole lutava contra o racismo, de que era alvo, recusando-se a atuar perante plateias que segregassem os negros.




É difícil compreender o irracional, especialmente quando pretende apoucar, amesquinhar, humilhar aqueles que são diferentes na maneira de pensar ou na cor. Não me parece que a intolerância seja um defeito humano, mas é comum a muitos seres humanos, ao longo dos séculos.
Nat King Cole e Galileu demonstraram o que outros já tinham ensinado: a diferença é criadora e beneficia a humanidade, que evolui exponencialmente quando aceita o desafio dos seus intérpretes.


Galileu desenvolveu o método científico, descobriu a lei dos corpos e o princípio da inércia, desenvolveu o pêndulo e, sobretudo, teve a coragem de ser um cientista entre teólogos; King Cole moldou, com a sua voz sedutora e doce, canções únicas como “Unforgettable”, “Quizás, Quizás, Quizás”. O cantor do Louisiana ainda deixou outro presente, a filha Natalie Cole.
Olhando para estes exemplos do passado é fácil concluir que a única coisa que a intolerância consegue escrever na História humana são lamentáveis momentos de ódio e dor, assumindo o odioso papel do mau que perde sempre no fim.
A tristeza e a mágoa com que estes dois magos da ciência e da arte se despediram do mundo impediu-os de legar aos seus o melhor de cada qual. E isso é… intolerável.

Deixo-vos com um poema de António Gedeão sobre Galileu e a canção de Nat King Cole que mais aprecio.
 Open your minds! 

Gabriel Vilas Boas