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sábado, 30 de maio de 2015

CASABLANCA, de Michael Curtiz


Há cerca de duas semanas (17 de maio) fez setenta anos que o filme CASABLANCA, de Michael Curtiz foi exibido pela primeira vez em Portugal, no Teatro Politeama. Trata-se de um filmes mais míticos do cinema mundial, uma película que marcou a história da sétima arte e a carreira de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.
Há sempre outros que vêm à cabeça quando se fala no melhor filme de sempre. Há sempre outros maiores, mais grandiosos, há sempre outros mais profundos, mais belos, mas, se procurarmos no fundo da alma coletiva, onde se mantém a doce memória do toque inefável de uma obra-prima, sabemos invariavelmente qual é “O filme”: Casablanca.


Não há outro filme rodeado por semelhante aura e que demonstre a todo o momento ter vida própria e também a capacidade de sobrevivência: ultrapassou o culto a Humphrey Bogart; sobreviveu às ondas revivalistas; enxovalhou os que tiveram o desplante de o colorir; salta de geração em geração, com a vitalidade de uma obra que mais cedo ou mais tarde, acaba por ser o filme preferido de toda a gente.
Em Casablanca, tudo é perfeito. As interpretações são geniais (apesar de Bogart ter sido injustamente preterido na eleição de melhor ator) e a realização de Michael Curtiz, premiada pela Academia de Hollywood, vive pelos atores e para os atores, tornando-se brilhante sem atingir qualquer zénite.
Na chave de toda a excelência do filme está o argumento premiado de Julius Epstein, Philip Epstein e Howard Koch.


Poucas são as pessoas interessadas por cinema que ainda não viveram esta magnífica história em que Rick (Bogart), o aventureiro americano que tem um café em Casablanca, abdica do seu amor por Ilse (Ingrid Bergman), em nome da honra pessoal, para ajudar o marido desta – o chefe da Resistência, Victor Laszlo (Paul Henreid) – a embarcar num avião para Lisboa, de onde poderá escapar para o oásis americano.
Poucos são ainda os que não desejaram ver o filme uma e outra vez, ou os que não transbordam de nostalgia quando ouvem Dooley Wilson a cantar “A Time Goes By”.
E tantas são as histórias em torno deste mito do cinema, muitas delas fantasiadas, como aquela que sustentava que o final do filme apenas fora decido no último dia (a moralidade estabelecida em Hollywood apenas permitiria que Bergman seguisse com o seu marido) ou a emblemática frase, afinal inexistente no filme, “Play it again, Sam”…
“Everybody comes to Rick’s” era o título da peça original, mas que nunca foi publicada. Alterando um pouco: toda a gente acaba por amar Casablanca, e por vê-la, pelo menos, uma vez na vida. Hoje pode ser a sua vez!
Gabriel Vilas Boas

sábado, 1 de março de 2014

AND THE OSCAR GOES TO...

Hollywood, 11 de maio de 1927. Louis B. Mayer, o homem forte da MGM propõe a criação dum prémio destinado a distinguir o que de melhor se viesse a fazer na indústria cinematográfica. Logo o diretor artístico da MGM, Cedric Gibbons, pegou numa folha de papel e esboçou a figura de um guerreiro nu, segurando uma espada com as duas mãos, colocado em pé em cima duma bobina de cinco buracos, correspondendo aos cinco ramos fundadores da Academia (atores, realizadores, produtores, técnicos e argumentistas).


A ideia de Meyer e o desenho de Gibbons (posteriormente esculpido por George Stanley) foram aprovados por aclamação. Estava criado o prémio que, anos mais tarde,  viria a chamar-se ÓSCAR.
A 16 de maio de 1929, numa cerimónia que não demorou mais de cinco minutos, foram entregues os primeiros prémios da Academia, atribuídos em função dos filmes realizados em 1927 e 1928. Por mais cinco edições foi mantida a fórmula bianual. Em 1935 (com a entrega dos Óscares relativos a 1934) foi adotado o esquema que ainda hoje perdura.
A 2 de março de 2014, decorrerá a 86.ª cerimónia de entrega de Prémios da Academia. Hollywood distinguirá os melhores do cinema em 2013 e entregará mais de duas dezenas de estatuetas que premiarão atores, atrizes, realizadores, filmes, bandas sonoras, argumentos originais e adaptados, curtas e longas-metragens, documentários e canções originais, figurinos e efeitos especiais.
                Aquela pequena estatueta de 35 centímetros, banhada a ouro é o objetivo de milhares e milhares de atores, atrizes, realizadores, técnicos de luz e de música, produtores. Por ela, muito dinheiro foi investido, muitos realizaram autênticos prodígios de interpretação fazendo sonhar milhões de pessoas em todo o mundo.
                Hollywood, a cidade sagrada do cinema, certifica todos os anos os heróis da sétima arte. Obter uma nomeação para Óscar é já uma honra que está apenas ao alcance de poucos, mas ganhar um Óscar é algo de tão raro e precioso que muito poucos são aqueles que se podem gabar de ter em casa duas estatuetas. Entre os deuses e deusas que Hollywood consagrou destacam-se três atrizes (Katharine Hepburn, Ingrid Bergman e Meryl Streep) e um ator (Jack Nickolson).
A americana K. Hepburn ainda é a mais galardoada de sempre, com quatro estatuetas (1934, 1968, 1969 e 1982), mas Meryl Streep, que ganhou em 1980, 1983 e 2012, pode alcançá-la, pois é uma das nomeadas da edição deste ano, na sequência da sua interpretação em “Um quente agosto”. Pelo meio fica a deusa sueca Ingrid Bergman que arrecadou a estatueta dourada tês vezes (1945, 1957, 1975). Do lado masculino, apenas Jack Nickolson venceu três vezes: 1975, 1987 e 1997. Em todos os casos, podemos verificar que se trata de autênticos monstros sagrados do cinema, pois ganharam o prémio como jovens, como adultos e como velhos atores, o que atesta toda a sua predestinação para a representação.
O mundo do cinema não é só dos atores e das atrizes é também dos realizadores e, nesta área, Walt Disney destaca-se entre todos. Vinte e dois óscares e cinquenta e nove nomeações são um recorde que muito dificilmente será batido por alguém.
Quanto aos filmes, o record de estatuetas está na posse dum trio: Ben-Hur (1960), Titanic (1998) e Lord of Kings (2004) – todos com onze estatuetas, todos grandes produções cinematográficas que arrasaram a concorrência.

Este ano, o grande candidato é “Golpada americana” de David O. Russell. “Golpada americana” é um exemplo de realização. David Russell reuniu um elenco fantástico de atores (Christian Bale, Bradley Cooper, Jnnifer Lawrence e Amy Adams) e soube dar-lhe a liberdade que o seu génio pedia. Nenhum desiludiu e todos eles estão nomeados para melhor ator/atriz principal e secundário. Mas para que a conjugação astral fosse realmente perfeita faltava um elemento fulcral: o argumento. “Golpada Americana” é a história do vigarista Irving Rosenfeld (Bale) e da companheira Sydney Prosser (Adams), que, de um momento para o outro, acabam por ter de trabalhar para o FBI, concretamente, para o ambicioso Richie DiMaso (Cooper). Devido a Rosalyn Rosenfeld (Lawrence), o mundo de todos desmorona num caso que vai abalar a vida política de New Jersey, mas também a Máfia norte-americana. Política, corrupção, amor, traição, vigarice, humanidade, verdade e mentira. “Golpada Americana” retrata com nostalgia os inesquecíveis anos 80, o seu vestuário, os seus costumes, as suas músicas, os seus crimes… Impossível a América não gostar de si.
Talvez Leonardo Di Caprio em “O Lobo de Wall Street” arrebate o óscar de melhor ator que há muito lhe pisca o olho e Cate Blanchett, em “Blue Jasmine”, receba o prémio de melhor atriz, mas seria uma grande surpresa se alguém desse um golpe à “Golpada Americana”. Daqui a algumas horas, milhões em todo o mundo susterão a respiração por um segundo “And the Oscar goes to….”



Gabriel Vilas Boas