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domingo, 24 de março de 2019

POR QUE RAZÃO A VIDA NOS PARECE TÃO CURTA?


"Para ser honesto, a vida é curta não pelo número de anos que se vive, mas pela raridade de momentos cheios de felicidade!" 

Coskun Cokbulan



“O meu coração sempre ansiou por aventuras, mesmo quando era criança; agora, eu acordo todas as manhãs pronto para ir encontrá-lo." Alex V

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

NÃO TEMOS DE ESTAR SEMPRE CERTOS


Certo dia, depois de um jogo bem conseguido do argentino Pablo Aimar, um jornalista perguntou-lhe se aquele era o verdadeiro Pablo Aimar, ao que o futebolista respondeu: “O verdadeiro Pablo Aimar é aquele que joga bem e aquele que joga mal!”
Mais do que uma arrogância, é uma tontaria acharmos que estamos sempre certos. Não é verdade, é desgastante e retira-nos credibilidade.
Estar errado não tem de ser uma ideia insuportável, uma desqualificação pessoal imperdoável, uma manifestação de fraqueza. Estar certo e estar errado faz parte da vida. 

Claro que custa imenso ao ego admitir que se está errado, mas é bem pior deixar de ter a noção clara do que é correto e incorreto apenas por orgulho; é péssimo os outros olharem-nos como alguém inflexível, orgulhoso(a); é muito mau deixar de viver momentos saborosos apenas porque não podemos “perder a face”. A face está mais do que perdida!
Muitas vezes destroem-se amizades, relacionamentos amorosos, porque achamos que temos de ter sempre razão. Essa obsessão não nos torna objeto de admiração mas apenas seres irritantes. As relações interpessoais não são um jogo, em que temos de estar sempre por cima, sempre a ganhar. As relações interpessoais constroem-se na diversidade de que somos feitos, na assunção dos bons e maus momentos, na justa avaliação da tomada de posição dos outros.
Aquele que tem sempre a necessidade de estar certo é uma pessoa muito insegura. A confiança nas nossas capacidades e razões conquista-se principalmente em momentos menos fulgurantes. Devemos sentir os golos que os outros nos marcam como algo que faz parte da vida e nos ajudará a crescer.
Reconhecer a razão alheia, a excelência de uma ideia do outro, o sentido de oportunidade de uma observação do parceiro é uma prova de inteligência e de maturidade e um passo decisivo para a nossa felicidade.

gavb

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A SABEDORIA DO PARVO

 O relógio já há muito ultrapassara as 19 horas, mas a praia estava cheia de gente a saborear um pôr-de-sol delicado e deslumbrante. Três amigos caminham ao longo do mar. Já decidiram que não voltam para a água embora os 24º sejam uma provocação… Trocam piadas, provocações, frases espirituosas à espera que a conversa pegue fogo.
Filosoficamente cada um costuma falar de uma realidade que lhe é próxima à espera que os outros entrem no jogo.
A conversa seguia agradável e ligeira, algures entre a procura da Felicidade e a Sabedoria humana, quando resolvi provocá-los:
- Sabem, o Miguel Esteves Cardoso costumava dizer que para se ser feliz é preciso ser-se um bocado parvo!
  Ela acrescentou em forma de resposta:
- Só um bocadinho?!
- Sim, só um bocadinho, porque se excedermos a parvoíce conveniente, passamos a parvalhões e depois aparece alguém a dar-nos notícia da figura que estamos a fazer e lá se vai a felicidade.   
  Ela voltou à carga:
- O melhor é fingirmo-nos de parvos?        
Depois dele ter dado uma sonora gargalhada, retorqui:
- Isso é batota, não vale! Tu sabes que estás a fingir. Não ignoras os factos, fazes é de conta que não os conheces. No entanto, já somaste dois mais dois, já avaliaste comportamentos, já te fizestes as perguntas incómodas que se impunham e viste a escuridão encobrir a luz.

Foi então que ele resolveu entrar na conversa.
- Não conseguimos ser só “um bocadinho parvos”!
- Nem nos tornar parvos! – Acrescentou ela.
Pois não! – Conclui. – A parvoíce sábia é uma espécie de descanso que damos à mente; uma nota de crédito que passamos às falhas humanas de cada dia. Mais dia menos dia também vamos precisar de um empréstimo com spread igual.
Por momentos voltámos a ouvir o mar, o som das bolas de borracha nas raquetes de madeira, o chapinhar de duas crianças que corriam perto de nós.
- O vento está a ficar mais fresco! – Disse ela!
Não estava nada, mas todos concordámos convenientemente. Estávamos já a exercitar esse “novo” modo de ser feliz ou pensávamos apenas como era pequena a nossa nota de crédito?

Gabriel Vilas Boas