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sexta-feira, 28 de abril de 2017

THE GIFT – JÁ HÁ “ALTAR” PARA VENERAR




Os The Gift têm um brilho nos olhos quando falam do seu “Altar” – o novo álbum do grupo de Alcobaça, que exibe com orgulho o trabalho com feito Brian Eno. E não é para menos, o músico e compositor inglês já produziu os U2, Coldplay, Paul Simon ou Grace Jones.
“Altar” é já considerado por muitos o melhor álbum do grupo e estou em crer que fará enorme sucesso no mercado… internacional. Nota-se o dedo de Eno nas principais músicas como Big Fish, Love Without Violins, Malifest.

O concerto de quarta-feira passada, em Vila Real, esgotou a sala e misturou o novo trabalho do grupo com êxitos de álbuns anteriores. Impossível fugir aquele “Clássico” que sintetiza as contradições em que navega o amor, assim como ao RGB ou à apaixonada “Primavera” que todos sabiam de cor. Faltou tocar The Race Is Long (música que aprecio particularmente), mas não hão de faltar oportunidades, de a voltar a ouvir em concerto.

Apesar de não haver uma óbvia ligação do grupo de Sónia Tavares, Nuno e João Gonçalves a Vila Real, Nuno conseguiu interagir com o público recordando os tempos em que tentou entrar para a UTAD, mas os numerus clausus não o permitiram. Assim como assim, estamos em plena semana académica, no capital de Trás-os-Montes.


O concerto fluiu com uma naturalidade impressionante e o público foi se libertando das cadeiras, perdendo a vergonha, e começou a dançar ao som dos novos êxitos da banda. Apesar de toda a magia africana de “Malifest” (uma agradável surpresa para mim) e da sonoridade de "Big Fish" (claramente umas das grandes apostas do grupo para esta digressão de apresentação de “Altar”), eles preferiram despedir-se com “Fácil de Entender”. 

Quem os ouve e vê percebe facilmente como se mantêm de pé ao fim de duas décadas: há uma profunda amizade entre eles e um enorme desejo de aprender e evoluir. De álbum para álbum vão ficando mais refinados e conquistando novos públicos. Não é por acaso que em Maio “Altar” estará em Berlim e Londres e que já entrou no top 100 das músicas mais tocadas pelas rádios universitárias dos EUA e Inglaterra.

Gabriel Vilas Boas

terça-feira, 17 de novembro de 2015

RGB, The Gift

 Na primavera de 2011, os The Gift lançavam-se definitivamente para o êxito com RGB. Uma música poderosa, jovem, original que rapidamente me conquistou não apenas pela inovação musical como pela frescura da letra. Ainda hoje a recordo como uma música icónica desse ano, ou não tivesse entrado como um foguete no ouvido de muitos milhares de portugueses que a trauteavam ou apenas sorriam de felicidade quando a ouviam no rádio, a caminho do emprego ou de casa.



Com a força de um amor único e irrepetível, RGB é um crescendo de adrenalina pura e melodia emocionante, que irá terminar num belo final, onde depois de atingido o clímax, este desaparece deixando o perfume sonoro de uma música de exceção.
A letra em inglês casa muito bem com o tipo de música que RGB representa, sugerindo o desafio da aventura, uma decisão marcante, a escolha de uma vida.
O início é o aviso, que no fundo confessa um amor profundo: What made you think I´m in love with you? One hundred ways to appart from you.

Cem ou mil, nenhuma parece suficientemente forte para separá-los. Ainda que um tenho construído um mundo a preto e branco, demarcado a cinza, e outro tenha criado um arco-íris de cores, o desafio é “running to the stars /Let the fireworks start”.
No entanto, a dúvida sobre um final feliz cresce emocionante, tanto na música como no ouvinte, fazendo-o participar inconscientemente de uma história de amor mágica, mas de final imprevisível. Talvez por isso, o final seja tão radical e acabe numa interrogação: "There is a gun in my hand /(…)If it points at your head/Would you die for me?"
Na verdade, não interessa quem morre por quem, mas quem é capaz de Amar até às estrelas. E é de Amor que esta canção “fala”. De um Amor, total, inabalável, absoluto e tão poeticamente definido em “If de World explode right now/ I will hide you deep underground”.
Vale a pena voltar a ouvir.
Gabriel Vilas Boas 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

THE GIFT



Após um dia cheio de sol, praia e água, rumei a Olhão e ao seu famoso festival do Marisco. Depois dum jantar saboroso, uma sobremesa que foi um GIFT. A banda de Sónia Tavares, Nuno Gonçalves e Paulo Praça deu um excelente concerto, conquistando o público, música após música.

Muito público optou por ficar sentado nas cadeiras disponíveis no recinto enquanto os mais entusiastas e devotos da banda de Alcobaça marcavam presença junto ao palco. Sónia Tavares anunciou que o concerto ia ser uma espécie de retrospetiva das duas décadas de carreira do grupo. “Driving you slow”, do álbum AM/FM de 2004, agarrou a assistência desde o início e estimulou a vocalista que fez um concerto em crescendo. 

Nuno Gonçalves, muito entusiasmado, não perdia uma oportunidade de puxar pelo público, quase todo já de pé, a cantar, a dançar, a divertir-se. Curioso notar a presença de muitos casais com filhos de tenra idade, nada aborrecidos com aquela música cantada em inglês. Uns punham-se em cima das cadeiras para ver melhor, outros tentavam imitar a letra das músicas no seu criancês muito peculiar.

Apesar de ser uma banda que canta, primordialmente, em inglês, a canção mais conhecida e glamourosa dos The Gitf é em Português. “Primavera” é um hino da pop portuguesa. Sensível, intimista, a letra é conhecida por toda a gente, que a entoa com um prazer depurado.


“Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci

(…)

Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...”

Mas rapidamente, Sónia volta ao movimento, à dança, ao lado mais Explode da banda, de que RGB é um ícone. Da letra à criação musical, RGB é daquelas músicas que ganhou lugar cativo no coração de muitos milhares de nós. Há na música uma tensão permanente, um desejo de dançar, um prazer em crescendo que se estende da alma até ao corpo, fazendo escala no mundo dos sonhos. E depois aquele final é como um soneto: fecha com chave de ouro, uma música que “Running to the stars / Never gets you very far” da perfeição.



A meio do concerto deparei-me com uma música, “Race is long”. À primeira vista mais uma canção sobre a difícil arte do encontro na vida das pessoas. Eu pensei na própria existência do grupo. Acho que eles perceberam que a “Race is long” e não convém desistir aos primeiros contratempos. Cantando em inglês, não tiveram o mesmo beneplácito da indústria musical portuguesa que os Silence 4, mas não desesperaram, conquistaram pacientemente o seu espaço e o reconhecimento do seu talento acabou por acontecer ou antes explodir. Talvez porque nunca deixaram de ter os media e a crítica especializada do seu lado, caucionando todo o projeto musical da banda. 

De volta ao concerto, verifico que Sónia Tavares está completamente envolvida com o público. Dança, conversa, brinca. Está feliz! À sua frente uma senhora de sessenta anos acompanha o ritmo de mais uma música, com palmas sincopadas e satisfeitas. Talvez nem percebesse a letra ou nem fosse fã do grupo, mas a sonoridade envolveu-a por completo.

Depois de mais de hora e meia de concerto, a banda voltava para um longo encore de cinco músicas. Era “Fácil de entender” que estavam felizes. O público correspondia, queria ficar bem na fotografia que Sónia fez questão de lhe tirar na despedida demorada. Ela sabia que tinha de voltar a tocar “Primavera”. Não era sábado à noite e estamos no verão, mas fãs e banda “can’t help falling in love”.

Gabriel Vilas Boas