Quando alguém lembra aos professores o magnífico horário
que têm, eles apontam para épocas do ano como esta, em que têm de corrigir
centenas de testes, em poucos dias, ao mesmo tempo que cumprem o seu horário
letivo e não letivo. São tempos duros, extenuantes, em que todos têm a sensação
que trabalham bem para além da conta.
O que mais me intriga é que os seus professores, apesar de sistematicamente apelarem ao estudo parecem esquecer o horário dos pequenos. São 32 horas para crianças de 10/11 anos e mais de 35 para crianças de 13 anos. Quase todas elas têm aulas, desde as 8.30 às 16.30, todos os dias da semana. Chegam a casa uma hora depois e terão disponibilidade mental e física para 90 a 120 minutos de estudo!
Timidamente algum aluno aproxima-se do professor e pede-lhe
para alterar o teste de 3.ª feira para 6.ª feira. A resposta é quase sempre “Não!
Já marquei o teste há muito tempo, agora não vou desmarcar! Tens mais testes? Estuda no
fim-de-semana! Olha, os teus colegas não se queixam!”
Muitos professores sabem disto muito bem, mas assobiam para o lado, até porque a maioria só quer “passar de ano” e “uma positiva baixa” está sempre ao alcance da maioria dos alunos. Mas é mau remedeio.
O horário de um aluno estudioso e cumpridor, durante a época
de testes, vai bem além das 50 horas semanais. É o aluno que é submetido a
avaliação e este não pode fazer como o professor, executando o teste noutro dia
mais conveniente, porque “não foi possível acabar o estudo a tempo”.
Estou cada vez mais convencido que algumas más notas dos alunos
começam também na maneira como os professores os enchem de TPC nas semanas dos
testes e como não mostram abertura para fazer pequenas alterações às datas
inicialmente acordadas para as provas. Isto acontece sobretudo com os alunos mais novos, do
2.º ciclo, que, por vergonha e medo, não manifestam muitas das suas angústias.
Está na altura de muitos professores olharem além do seu
umbig(h)orário!
GAVB
GAVB



