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domingo, 17 de junho de 2018

MARCELO SIM, COSTA NÃO!



 Num momento íntimo e sentido, em que relembraram o dia mais traumática das suas vidas (17 de junho de 2017), as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande fizeram questão de convidar o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mas não endereçaram o mesmo convite ao primeiro-ministro António Costa.
Não me parece que aquela gente esteja particularmente zangada com o líder do Governo, mas o «não convite» a António Costa não foi um esquecimento. A dor que atingiu aquelas pessoas fê-las perceber que só quem é totalmente genuíno pode ter a honra de homenagear aqueles que morreram por causa da falta de protecção civil.

Marcelo soube entender a dor profunda daquela gente muito para além do cargo que ocupa. Percebe-se isso em cada gesto, no tom de voz, na influência pequena ou grande que move, na autoridade com que encosta o governo à parede da sua responsabilidade.
A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrogão não convidou o Presidente da República de Portugal, mas antes Marcelo Rebelo de Sousa, que, «por acaso» ocupa o mais alto cargo da nação. Marcelo sabe perfeitamente quando tem que ser, antes de mais, um compatriota, um amigo, o mar imenso onde desaguam todos os rios de tristeza, infortúnio e desespero. Não é apenas um dom, é saber ser genuíno quando é absolutamente imperioso que o seja.


Ser genuíno é das coisas que António Costa tem mais dificuldade em ser. Ele o protótipo do político que não se compromete, que faz o discurso certo e recomendado nos livros de ciência política, mas um povo precisa mais do que isso. Precisa de gente com alma, gente em quem possa confiar sem que seja preciso uma lei, uma carta assinada ou uma maioria que o empurre. Um povo precisa de sentir que para o seu líder palavra dada é palavra honrada. Com António Costa isto é pouco mais do que um chavão com muitos asteriscos.
GAVB

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

WHERE IS THE MONEY?



Foi preciso o presidente Marcelo Rebelo de Sousa falar, para quem tinha o dinheiro dos donativos de Pedrógão sair da toca e prestar algumas contas. Enquanto as vítimas reclamaram e os Presidentes de Câmara se indignaram ninguém achou necessário esclarecer, mas Marcelo é o presidente e antes que o caso se tornasse mais mediático, Governo, Misericórdias, Cáritas… começaram a prestar esclarecimentos.
Das contas do governo, prestei atenção à enorme diferença entre intenções de doações e doações efetivas. Onde vai o descaramento de grande empresas e países, ao anunciar solidariedade que não efetivam, quase que diria apenas como um golpe publicitário. Mereciam bem que alguém os massacrasse... publicitariamente falando.

O que o governo não explicou é por que razão continua a reter o dinheiro, se ele foi reunido para atender a casos de emergência social. Também não explicou com que moral cobrou impostos de muitas das doações, nomeadamente nas chamadas de valor acrescentado, quando são conhecidas tantas e tantas isenções incompreensíveis. Só a título de exemplo, os bilhetes para os concertos na Festa do Avante não pagam IVA e os lucros lá gerados também não. O Partido precisa, mas a pessoas de Pedrógão já pagaram impostos das esmolas doadas e ainda não as receberam. Lindo, educativo e profundamente moral.
Por outro lado, as Misericórdias também anunciaram o que angariaram para Pedrógão: 1, 6 milhões de euros, já com impostos pagos, que a Igreja gosta de estar em dia com o Fisco, como toda a gente sabe. O que é escandaloso é que apenas fez chegar aos destinatários das doações menos de 1% do que ficou à sua guarda. Porquê? Mistério. Não explicou. Afinal sempre libertou 12 mil euros, mas os restantes um milhão e seiscentos mil euros continuam no banco a render.

A Cáritas também prestou contas. Um milhão e oitocentos mil euros angariados, dos quais cativou um milhão e trezentos mil euros para um projeto da Cáritas de Coimbra, relacionada com a destruição provocada pelos fogos. Para Pedrógão saíram apenas, até ao momento, 100 mil euros.

Não sei se foi isto que os portugueses, que enviaram o seu dinheiro para contas solidárias, imaginavam que aconteceria, mas estou certo que ninguém pensava que três meses depois da enorme tragédia de Pedrógão Grande ainda ninguém soubesse ao certo quem foram os culpados e que 90% do dinheiro doado, por solidariedade com as populações atingidas, continua nos bancos.

GAVB