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domingo, 6 de dezembro de 2015

HELLO, de Adele



Adele está de volta. A rapariga de personalidade forte e voz poderosa regressa com «Hello», o single de lançamento do seu novo álbum: «25».
Da maneira mais simples e eficaz, Adele regressa à alma e coração dos seus fãs. Por muito que a memória afetiva de alguns tropece no êxito de Lionel Richie, nascido há três décadas, este «Hello» tem o ADN de Adele. Não é apenas aquela maravilhosa voz, mas também a letra, sempre fundamental em qualquer composição da londrina.
Hello / It´s me / I was wondering if after all these years / you´d like to meet / to go over / Everything”. Por mais que tente (e eu acho que nem isso), para Adele, o passado não é um assunto fechado.

Em «Hello», a cantora britânica quer restabelecer a ligação a alguém que amou e magoou muitíssimo, no passado, procurando, agora, remediar os erros cometidos.
Ao falar do álbum «25», Adele não deixa dúvidas sobre a temática deste novo trabalho: “... é sobre a reconciliação com a vida. Estou a reconciliar-me comigo mesma.”. No entanto, já todos suspeitávamos, «reconciliar» não quer dizer «esquecer o passado», passar uma borracha sobre o que aconteceu e seguir em frente. Até porque “viver é desenhar sem borracha” e Adele decidiu voltar para encarar o que aconteceu, mais madura, talvez mais lúcida, mas com a obstinação de sempre: “I must calleda thousand times”. Afinal, nem o Tempo cura tudo: “They say that time´s supposed to heal ya/But I ain´t done much healing” e por isso a inglesa aparece disposta a reconhecer as diferenças ("There´s such a difference/ Between us/and a million miles”), a distância criada, os erros cometidos, o egocentrismo (“It´s so typical of me talk about me”), porque acalenta a esperança que aquele grande Amor ressurja.

E neste sofrimento-esperança, feito de arrependimento e amor, todos nós reconhecemos Adele. Ela não finge, não cria música que não lhe saia da alma. É a Adele de “Someone Like You” e “Rolling In The Deep” que nos diz “Hello / It´s me” e nós percebemos que ela pretende novamente “Set fire to the rain”. É a paixão que a move. Só ela. Ainda que seja um sonho utópico, ela não vai desistir.
Talvez não seja por acaso que, depois de «Hello», «25» tenha um tema tão elucidativo como I miss you”, cujo fim não deixa grandes dúvidas:
“I Know I´ll see you again
Either faro r soon
But Í nedd you Know
That I care
And I Miss You”.

Gabriel Vilas Boas

quinta-feira, 30 de julho de 2015

HELLO, LIONEL RICHIE


Yes, it is you I´m looking for. Felizmente foi possível trazê-lo a Portugal para um concerto único e derradeiro.
O ex-saxofonista dos Commodores está entre nós para recordar grandes êxitos duma carreira longa cujo epicentro se situa nos anos 80.
Quando, no início dessa década gloriosa da música norte-americana, Lionel Richie gravou, com Diana Ross, Endless Love, percebeu que, talvez, fosse bom tentar fazer carreira a solo.
Os anos seguintes confirmaram o talento de um cantor romântico que vendia milhões de discos com a facilidade com que se diz Hello ou Say you Say me, canção que serviu de banda sonora do filme “O Sol da Meia-Noite” e arrebatou um Óscar da Academia, em Hollywood.
Stuck on you consagra Mr. Richie como um mestre das baladas românticas, que soube trazer para a Américas dos Yankees a sensualidade latina.
Os seus principais êxitos musicais estão cheios desse perfume aveludado do soft rock, onde se cruzaram influências de jazz, country e pop.
A grande empatia que conseguiu com o público não vinha só das belas canções, que criava, mas também das causas humanitárias que abraçou. No auge do êxito pessoal esteve na génese do mítico “We are the world”, que pretendia arrecadar fundos para ajudar as famílias vítimas da fome em África. Há menos de dez anos foi decisivo para a libertação de Dallas Austin, nos Emirados Árabes Unidos, ao testemunhar sobre o seu bom carácter junto do embaixador daquele país nos EUA. Ao mesmo tempo envolveu-se na luta contra a Sida e o Cancro da Mama dando visibilidade à luta de todos aqueles que sofrem, ajudando a angariar fundos.
Esta noite, Lionel Richie talvez comece por dizer Hello. Cabe ao público português terminar com um mais que merecido Thank you!
Gabriel Vilas Boas