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terça-feira, 18 de junho de 2019

O QUE FAZ SUBIR A NOTA DOS EXAMES NACIONAIS


Os melhores alunos usam o período de tolerância 
Em todos os exames nacionais os alunos têm um período suplementar de 30 minutos para concluírem as provas, para além dos 90, 120 ou 150 minutos de tempo regulamentar. 

Um estudo recente demonstra que “o tempo de tolerância é utilizado principalmente pelos melhores alunos e não pelos que têm mais dificuldades ou mais lentos”. Esta foi a conclusão a que chegou o Júri Nacional de Exames depois de ter comparado as médias obtidas em 2018 pelos alunos que utilizaram os 30 minutos a mais com os resultados dos que não usaram este tempo. 

Um exemplo: 1.ª fase do exame de Matemática A, do 12.º ano, a média dos que aproveitaram o tempo de tolerância foi de 10,6 valores, enquanto a média dos que saíram do exame logo que puderam não passou os 6,9 valores. É realmente significativo. 

O Júri Nacional de Exames destaca como “muito significativo” o facto de, em 2018, a grande maioria dos alunos ter utilizado o tempo de tolerância de 30 minutos nos exames de Desenho A (81%), Física e Química A (77%) e Matemática A (69%). 

As disciplinas em que pelo contrário o tempo de tolerância foi menos usado foram as História e Cultura das Artes (27%), Geografia A (28%) e Literatura Portuguesa (35%). 

Menos determinantes, mas ainda assim importantes, as Reapreciações de Exames e as Orais também contribuem para a melhoria de nota dos alunos. 

Em 2018 houve 2807 pedidos de reapreciações de exames 75% desses pedidos obtiveram melhor nota. Só 9% desceu a nota. 

Pelos vistos vale a pena reclamar, ou dito de uma maneira mais suave, “pedir uma segunda opinião”. 

Por último, outra conclusão que se extrai dos resultados exames nacionais de 2018 é que a avaliação da oralidade melhora a nota. Aconteceu sobretudo nos exames de Inglês e Francês, mas não nos de Alemão. Este dado é surpreendentemente, mas talvez mostre duas coisas: o razoável domínio do inglês e francês falado e que na oral, onde a subjetividade da classificação é maior, os professores tendem subir a nota aos alunos.

Conclusão: a nota dos exames sobe quase sempre, quando os alunos usam todos os meios ao seu dispôr para o conseguir: mais tempo, oral ou reapreciação.
Claro que antes de mais convém ter ido às aulas, estudar de maneira contínua e aplicada.

sábado, 16 de dezembro de 2017

OS EXAMES SERÃO A PEDRA NO SAPATO DA FLEXIBILIDADE CURRICULAR?


Num artigo escrito por Samuel Silva, no jornal «Público», alerta-se para o receio que existe entre pais, alunos e professores sobre o impacto negativo que a flexibilidade curricular terá nos exames nacionais. Muitos Diretores ouvidos pelo repórter aconselham a cautela na implementação da flexibilidade curricular no ensino secundário.
Quando o projeto chegou ao conhecimento público, escrevi neste blogue que, na minha opinião, ela visava, por um lado, assegurar que mais gente transitaria de ano, e por outro, garantir mais poder aos diretores. 

Também pensava que o seu calcanhar de Aquiles estava no facto de ser inconveniente para os alunos que lutavam pelas melhores notas, pois reduzir tempo aos professores para os preparar para os exames de maneira consistente. Não foi por acaso que a reforma só se aplicou aos alunos do 5.º, 7.º e 10.º anos. Havia dois anos para estudar a melhor maneira de contornar essa perda de aulas. Agora que o projeto está em marcha, os pais dos alunos com ambições aos cursos superiores mais disputados já perceberam para onde corre o rio e por isso estão preocupados, porque quem faz os exames quer lá saber das matérias que ficarão por dar com a flexibilidade curricular. O programa continua a ser o mesmo. 
Flexibilizar para aligeirar até serve a uma grande parte dos alunos, mas assusta aqueles para quem todas as aulas contam.

Alguns diretores ainda acreditam que terão de ser os exames a adaptar-se à cultura de flexibilidade curricular e há pais que pensam que é “preciso repensar o acesso ao ensino superior”. Acho que esta gente é demasiado lírica. 
O ministro que não consegue resolver eficazmente o problema dos concursos de professores e que não fala claro sobre os planos da municipalização da educação vai agora dar uma resposta satisfatória ao desfasamento entre exigência dos exames nacionais e a política de flexibilidade curricular? Não creio! 
Quando a bolha rebentar a sério – Outono de 2019 – estaremos em campanha eleitoral e Tiago Brandão Rodrigues não será o ministro que terá de resolver a questão. O mais certo é Costa ou outro qualquer primeiro-ministro autorizar que as turmas que então iniciem o 12.º ano possam ter a flexibilidade de voltar ao regime antigo, ou seja, sem flexibilização.  

GAVB