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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O QUE HÁ PARA REFLETIR, PASSOS COELHO?


Passo Coelho deve adorar calvários, vias-sacras, autoflagelações. Só assim se justifica que não atue com a sagacidade e a rapidez que se exige a um político, aproveitando o momento mediático, de que o político tanto vive.
 Passos Coelho ainda não percebeu que todo o PSD espera a sua demissão? Passos Coelho não notou que a ausência de contundência do PS, do BE e do PCP para com os seus resultados equivale a uma certa dose do pena do líder social-democrata?
Passos esperou que o diabo lhe devolvesse o céu, mas o diabo não chegou e ele é que foi para o inferno. Paulo Portas seguiu o seu caminho, ao percebeu que o seu tempo tinha passado; Assunção tratou de se afirmar candidatando-se a Lisboa e não recuando quando Passos resolveu não subscrever uma candidatura conjunta, para lançar Teresa Leal Coelho.

Enquanto Passos andava amuado e ressabiado por não governar, apesar de ter ganho as eleições, os candidatos autárquicos do PSD ficavam abandonados e notava-se que tinham sido quarta ou quinta escolha. 
Passos foi para estas eleições autárquicas sem estratégia, sem força, sem unir o Partido. As principais figuras do PSD não se disponibilizaram para ser candidatar nem para aparecer durante a campanha eleitoral. 
De dentro, o silêncio é de quem espera pacientemente que o líder tenha a dignidade de sair pelo próprio pé; por fora, os adversários políticos externos já lhe desejam longa vida.
Será que Passos não percebe que deixou o PSD fora do Governo, fora das autarquias mais importantes do país e apenas como um partido médio no panorama político nacional? Que tem mais que refletir Passos Coelho? Quer ser árbitro da próxima contenda interna? Quer marcar o ritmo e a estratégia do PSD nos próximos anos? Quer condicionar o futuro líder? Que tontice!
António José Seguro tinha ganho as eleições de 2013 e, porque a sua vitória foi uma vitoriazinha, António Costa tratou de correr com ele. Hoje quem se lembra do Tozé Seguro?

GAVB

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ELEIÇÕES: A ARTE DE SE ELEGER À CUSTA DOS OUTROS


As eleições autárquicas permitem como nenhuma outra “votar em quem se conhece”. Cada um usa o critério que para si faz mais sentido, desde da competência ao programa eleitoral, passando pela lista de promessa ou até os valores pessoais que definem os candidatos. Por isso uns fazem promessas inovadoras, outros lançam mão do seu currículo enquanto há os que preferem destacar a sua humildade, honestidade, afetividade. Embora sejam características fundamentais que os candidatos devam ter, não aprecio muito quem delas se serve como argumento, pois ao trazê-las para o debate público sugere que os adversários não as têm, o que, na maioria das vezes, não corresponde à verdade e é sempre deselegante.

Apesar de raramente ser dito e assumido, há uma espécie de candidatos que procura eleger-se com base noutro pressuposto: o trabalho dos outros. 
Uns cavalgam a boa onda do governo e sugerem que apenas por serem do mesmo partido farão igual; outros empoleiram-se nos êxitos do Presidente da Câmara para conquistar a Junta de Freguesia e há ainda aqueles que apostam as fichas todas em cair nas boas graças das máquinas partidárias locais para se elegerem. Em todos os casos, parece-me um abuso de confiança! O trabalho não foi deles, a obra não é sua, muito menos o mérito.

Prefiro que me falem do que já fizeram no serviço à causa pública ou na sua vida profissional ou, no caso de serem principiantes políticos, que me seduzam com as suas ideias, ainda que venham em forma de promessas. Não precisam de ser mirabolantes (nunca ditas ou feitas), apenas exequíveis, sustentadas e que façam sentido no contexto local.    
Um candidato que se preze não se pendura, afirma-se. Às vezes, não precisa de fazer mais, apenas melhor, embora na maioria das vezes seja mesmo preciso mais e melhor. Em qualquer dos casos, que apenas invoque o seu trabalho, as suas ideias, os seus projetos.

GAVB

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A MODA DAS MORADAS FALSAS NAS AUTÁRQUICAS


Há umas semanas foi notícia a tentativa de alguns encarregados de educação inscreverem os seus filhos em escolas públicas de referência, recorrendo a moradas falsas. Até estavam dispostos a pagar para que alguém atestasse falsamente que moravam onde, de facto, não residiam. Qual virgem ofendida e incrédula, o Ministério da Educação ordenou um processo de inquérito para abafar o processo nos media. Quando se chegar à óbvia conclusão inconclusiva já o 1.º período estará a terminar e os alunos alvo de inquérito a frequentar a escola que queriam.

Na política passa-se o mesmo há décadas. Irrita-me particularmente o caso das eleições autárquicas, pois os candidatos afirmam pela sua honra e dignidade o amor à sua terra. O mais caricato é que muitos deles andam a candidatar-se à Junta ou à Câmara de uma freguesia ou concelho que não são os seus, mesmo nas barbas dos eleitores.

Depois de oito ou doze anos na Junta X ou na Câmara Y (normalmente onde residem), o vício e a dependência do poder são tão grandes que os impele a candidatar-se à Junta K ou à Camara W, normalmente maiores ou mais influentes. Sem pudor algum, lá vêm com a lengalenga do amor à terra, da vontade de ajudar os seus novos conterrâneos. Onde para a honestidade intelectual desta gente? Não era mais verdadeiro assumir o desejo de serem políticos profissionais, hoje candidatos em Leiria, daqui a dez anos em Sobral de Monte Agraço e daqui a vinte na Guarda? Se reparamos bem, este tipo de político raramente está disponível para baixar de patente. Se era presidente de uma Junta pequena quer ser de uma maior ou de uma Câmara; se era presidente de Câmara pequena quer ter o mesmo cargo numa de maior relevância; se era vice-presidente, quer ser presidente. Obviamente que a política para esta gente não é servir, mas servir-se.

Para as próximas eleições autárquicas, deixo uma pequena lista de gente ilustre que gosta tanto da terra onde reside habitualmente que vai candidatar-se a outra a quilómetros de distância. Maria Luís Albuquerque (PSD) candidata-se por Setúbal, apesar de ser de Braga; Ilda Figueiredo é de Aveiro, mas apresenta-se às eleições autárquicas em Viana do Castelo; Paulo Trigo, do PS, embora resida em Lisboa, acha melhor candidatar-se a Setúbal; Teresa Caeiro (CDS) mora em Lisboa, mas acha melhor tentar a sua sorte na política autárquica em Faro. Podia dar mais exemplos, inclusive no concelho onde resido há mais de uma década, mas é desnecessário, pois os casos são do conhecimento público local e só é enganado quem quer.
Entretanto e já que o ME é lento em processo de inquérito que não interessam nada resolver, talvez o Ministério da Administração Interna queira averiguar estes casos evidentes de falsas moradas nas matrículas para as próximas autárquicas. Se calhar não quer… a ministra continua muito tão comovida com os incêndios que não toma decisões até ao Natal.

GAVB