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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A OVELHA CHONÉ - O FILME


Ao ver este filme de animação, não pude deixar de me lembrar da maior fã da ovelha Choné, que conheço: a minha colega Cidália. O filme excedeu em muito as minhas melhores expectativas, na medida em que me divertiu, me recordou alguns dos valores fundamentais das relações humanas e das relações entre o Homem e os animais e ainda por cima estava muito bem feito.
A primeira grande surpresa que o espectador menos familiarizado com a saga da ovelha Choné apanha é que o filme não tem diálogos falados, ou seja, toda a comunicação entre as personagens é feita através de sons e gestos. Tal técnica resultou lindamente, realçando a arte e a imaginação dos atores. Não houve nenhum diálogo que não fosse entendível e as soluções encontradas sãos surpreendentemente simples, eficazes e muito divertidas.

Do ponto de vista temático, o filme de Mark Burton e Richard Starzack foca a relação do Homem com os animais, realçando a maior responsabilidade e cuidado que os animais põe nessa relação que o ser humano. No entanto, o final feliz que um filme destes tem de ter redime o agricultor, pois ele também tem um bom coração.
Não deixei de notar como o argumentista deste filme tão ternurento aportou a cada animal o comportamento que lhe é mais característico e que ao mesmo tempo consegue ser profundamente humano. Poe exemplo, o cão manifesta toda a sua fidelidade ao dono. Numa das muitas entrevistas que deram, os realizadores não deixaram de notar quão difícil foi o processo de escrita deste filme. No entanto o argumentista soube transformar em sons ideias simples, mas muito significativas e profundas, capazes de ser entendidas por crianças da mais tenra idade.

Outro elemento verdadeiramente surpreendente nesta película é a fidelidade à técnica de fabricação de imagem por imagem (stop motion) que em consonância com o uso de bonecos de plasticina constroem um filme fofo, sensível e afetivamente próximo do seu público-alvo.
No filme, a ovelha Choné decide trazer um pouco de animação ao seu pachorrento quotidiano e tirar um dia de folga para se divertir, no entanto, acabado por ter mais animação do que esperava.
Uma confusão com o fazendeiro, uma colina muito íngreme e uma caravana descontrolada atiram todo o rebanho para a confusão da cidade grande, onde a ovelha Choné chama a si a missão de remediar a situação e fazer todos regressar a casa.

O desejo de fuga da ovelha Choné à rotina da sua quinta transforma-se num conto moral sobre as tensões entre o individualismo e as regras de pertença a um grupo.
Na sua alegria contagiante é também um filme que nos obriga a um sereno relativismo, pois aqueles bonequinhos de plasticina mostram que para além das maravilhas do mundo digital há mais mundos no reino da animação.
Gabriel Vilas Boas  

terça-feira, 4 de agosto de 2015

UNS MÍNIMOS QUE SÃO UM MÁXIMO


Os «Mínimos» são mesmo o máximo. A proposta cinematográfica desta semana é dirigida aos mais novos, mas pode ser aproveitada por toda a família. Trata-se de um filme despretensioso, mas que consegue satisfazer as crianças, pela diversão que transporta em doses certas, e os adultos que as acompanham, pelo humor inteligente e surpreendente.
A música revivalista dos anos sessenta não deixará de satisfazer os avós, que muitas vezes substituem os pais na ida ao cinema com as crianças e os adolescentes.

 O filme realizado pela dupla Pierre Coffin e Kyle Balda conta com as vozes de grandes estrelas do cinema como Sandra Bullock ou Steve Carell, na versão americana, ou Herman José, Marco Delgado, Vasco Palmeirim, Vanda Miranda, César Mourão, Soraia Chaves, Maria Rueff, José Pedro Vasconcelos, na versão portuguesa.

As três criaturinhas amarelas (Kevin, Bob e Stuart) procuravam o seu novo líder malvado após terem morto os seus antigos líderes: T-Rex, Drácula, Napoleão, Gengis Khan… Decidem deixar a sua tribo até que chegam a Nova Iorque, onde são informados sobre uma convenção de vilões –  villan con -, que decorre em Orlando. É lá que conhecem a vilã Scarlet Overkill, que os emprega como novos ajudantes.
Rapidamente a vilã lhes dá uma missão: roubar a coroa da rainha de Inglaterra para a própria Sclarlet cumprir o seu sonho de criança. Inesperadamente, os Mínimos cumprem a missão bem demais, pois Bob é coroado rei de Inglaterra. Furiosa, Sclarlet persegue os Mínimos e estes acabam por lhe dar a coroa de boa-fé.
Em vez de sentir agradecida, Scarlet revela toda a sua malvadez, mandando torturar os Mínimos. Mais um vez, estes surpreendem o espectador, escapando ao duo malvado da história – Scarlet e o seu marido Herb – e impedindo a ansiada coroação da vilã das vilãs.
Segue-se então uma luta entre o bem e o mal, como é próprio de qualquer história infantil, com a inevitável vitória dos pequenos heróis amarelos, que devolvem a coroa à rainha e encontram finalmente o seu próximo líder: Gru, o Maldisposto.
«Mínimos» cumpre acima dos mínimos o seu papel de animar os mais novos e fazer sorrir os seus acompanhantes mais velhos. Sabe criar o riso sem o forçar, encontrando sempre situações inesperadas e simples. Não tem um roteiro memorável, mas aqueles bonecos amarelos são uma simpatia, uma diversão, que pode ser vista num qualquer intervalo da praia ou preencher uma das tardes das férias em família.
Gabriel Vilas Boas