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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ALIADOS


“Ser boa neste trabalho não é nada bonito!”  
“ALIADOS” é um filme apaixonante, envolvente, mas não soberbo. É fácil uma história de amor tocar-nos profundamente, é difícil que ela fique para a história do cinema.
Protagonizado por Brad Pitt e Marion Cotillard, nos papeis de Max Vatan e Marianne Beausejour, o filme de Robert Zemeckis mostra como a força do amor é capaz de surpreender profundamente os mais treinados para a ele sobreviverem.
No ano de 1942, em Casablanca, onde o belíssimo cenário do deserto se cruza com a atmosfera colonial francesa, um oficial e uma suposta combatente da resistência francesa preparam e executam com sucesso o assassínio do embaixador alemão.

Enquanto fingiam um matrimónio de conveniência, Max Vat e Marrianne Beausejour não conseguem controlar uma atração que os levar a um amor fatal, pois o mundo dos espiões não admite traidores, ainda que nos tenhamos apaixonado por eles.
Quando Max e Marianne viviam a felicidade de um amor definitivo e verdadeiro, os serviços secretos ingleses descobrem que o grande amor de Max era uma espia alemã. Procurando provas que desmentissem a verdade pressentida, Max rapidamente chega à conclusão que as suspeitas são verdadeiras, mas também que a sua mulher o ama e apenas continuava a ser espia alemã sob chantagem. O final esperado é realista… não bonito. 
Belas são as interpretações de Pitt e Cotillard, que interpretam um amor maduro, firme, irresistível e impossível, face às circunstâncias da guerra, onde todos são treinados para a dissimilação.
Mais do que uma história de espiões, um amor em tempo de guerra, “Aliados” procura mostrar a força irreprimível do amor, mesmo quando é vencido.  Aquilo que o espectador retém é que se mantiveram «aliados» até ao fim.
Gavb


sexta-feira, 15 de abril de 2016

ANGELINA JOLIE - Quod me nutrit me destruit



Mais do que uma atriz, produtora ou argumentista, Angelina Jolie é uma celebridade à escala planetária. Graças à sua beleza hipnotizadora, Angelina transformou-se num ícone do jet-set mundial, cuja carreira cinematográfica é apenas uma parte dum puzzle complexo, misterioso e atraente, que milhões de pessoas seguem à distância, com curiosidade e apreensão, como se a vida da atriz norte-americana estivesse permanentemente entre o inferno e o céu.
         
   No entanto, a senhora Pitt não é uma personagem, mas uma figura bem real, cuja beleza nos deslumbra e as atitudes nos inquietam.
  Apesar do óscar de melhor atriz secundária em 2000 pelo seu desempenho em “Sexto Sentido” e três Globos de Ouro entre 1997 e 1999, Angelina não é um monstro sagrado do mundo da representação, embora a sua carreira como argumentista, produtora e atriz indiciem claramente o grande amor que tem à sétima arte.
À boleia do cinema, Jolie tornou-se na celebridade que todas sonham ser quando a sua beleza deslumbrante conquistou Brad Pitt em Mr. & Mrs. Smith e os dois decidiram formar o casal mais glamouroso de Hollywood. A misteriosa e “problemática” atriz conquistou o coração de Mr. Pitt quando concretizou um dos seus maiores anseios – ser pai. Ao contrário do que é comum na maioria das atrizes, Angelina gosta de ser mãe e não vê nisso nenhum problema para a sua carreira. Tem seis filhos, três biológicos e três adotados. Estas três adoções são a marca mais visível de outro traço fundamental da personalidade da esposa de Brad Pitt: o ativismo humanitário. Embaixadora da Boa Vontade do Acnur em 2013 não foi um cargo oportunista para figurar num curriculum conveniente. Angelina interessa-se verdadeiramente pelos desprotegidos e pelos órfãos e não fica somente pelas palavras. Há um mês foi vista num campo de refugiados sírios, na Grécia, porque ela sabe que a sua imagem ainda tem o poder de constranger.

No entanto, já nessa altura Angelina Jolie se tinha tornado no foco da notícia. Não por causa do efeito das suas ações humanitárias ou desempenho fabuloso nalgum filme, não por causa de algum arrufo com Brad Pitt ou porque a sua beleza continuasse a brilhar intensamente, mas por causa da sua saúde.
Há poucos dias, Angelina Jolie foi internada de urgência, pois tinha chegado a uns inaceitáveis e perigosos trinta e cinco quilos de peso. Depois de ter retirado seios e ovários dada a sua propensão para ter cancro, a Angelina mais jolie do planeta tem de lutar contra a anorexia. Só que ao contrário do cancro, o principal problema é a sua teimosia paranoica em não se alimentar devidamente.
E Angelina é uma personalidade difícil de vergar e convencer. No meio daquela beleza arrebatadora, daquela doçura de mãe, daquela energia humanitária contagiante, há uma permanente sombra negra – qual Maléfica – que nenhum Mr. Smith, por mais Pitt que seja, consegue fazer desaparecer.
Desde a infância que é assim. Como se tudo o que consegue ou ganha estivesse à espera daquela reconciliação com o pai e consigo própria que teima em adiar. Veremos se ainda vai a tempo, porque mais importante que ser “jolie” para os outros é ser “angelina” para si.

Gabriel Vilas Boas