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sábado, 5 de agosto de 2017

OS PASSADIÇOS DO PAIVA



Os Passadiços do Paiva são um desafio para o corpo e um deleite para os olhos.
A beleza descomunal, intocada e surpreendente da natureza engana o cansaço acumulado ao longo de um percurso exigente, feito parcialmente à torreira do sol e ao ritmo do sobe e desce de escadarias íngremes e imponentes.
Imponência deslumbrante é um comentário comum em quem experimenta pela primeira vez os Passadiços do Paiva. 
São centenas as pessoas que diariamente convocam um corpo pouco habituado a sacrifícios, para uma aventura de sentidos, onde desfrutar da beleza da natureza é prémio suficiente.


Os Passadiços do Paiva são uma façanha para ser cometida… acompanhado. E a escolha do (a) parceiro (a) é quase tão importante como a seleção do calçado e da roupa adequados. Devemos apenas desafiar quem sente motivação e capacidade para duas horas e meia de caminhada (versão mais curta), a um ritmo razoável. Cada um deve avaliar corretamente as suas capacidades, motivações e grau de satisfação que as belezas naturais lhe proporcionam, porque as dificuldades também existem.

Para quem decide fazer o percurso ida e volta (e assim dispensar que o táxi o traga de regresso ao carro) é bom contar com um dia completo de aventuras. Às duas horas e meia que o percurso demora há que acrescentar as paragens para as inevitáveis fotos, a pausa para uns belos e retemperadores mergulhos na praia do vau e o tempo que ocupamos a almoçar e a descansar um pouco. Tudo contabilizado, é bem possível que passemos sete horas nos Passadiços do Paiva, sem nos demorarmos muito tempo em nenhum lado.



Apesar de muitos pais levarem consigo os filhos de tenra idade, acho que tal só é aconselhável a partir os 10/12 anos, pois acredito que só a partir dessa idade começa a ser razoavelmente suportável o esforço físico exigido ao longo dos 9 ou 18 km de caminhadas.
Embora o calor não tivesse sido muito excessivo, é fácil perceber que a Primavera e as primeiras semanas do Outono são as alturas do ano ideais para viver esta comunhão superlativa com a natureza. 


Com sorte podemos encontrar esquilos, cabras, belos exemplares de aves e peixes, no rio. No final, a nossa memória afetiva guardará a beleza que nos invadiu o olhar, porque o cansaço desaparece na viagem de regresso, entre as curvas da serra que recortam o Douro e o Paiva.

GAVB

segunda-feira, 2 de maio de 2016

AS TULIPAS HOLANDESAS

A imagem de hoje é a vista aérea de um campo de tulipas, perto de Lisse, na região de Amesterdão, na Holanda.
Todos os anos, na primavera (Abril - Maio), o território holandês veste fugazmente o seu traje de mil cores. Desde a primeira floração dos bolbos trazidos do Império Otomano pelo embaixador da Áustria, em 1594, foi possível obter 800 variedades de tulipas graças a quatro séculos de seleção.
Na região de Lisse, as tulipas são cultivadas com o objetivo da comercialização dos seus bolbos. Com uns 20 mil hectares cultivados (metade são tulipas, um quarto são lírios), a Holanda assegura 65% da produção mundial de bolbos (10 000 milhões de bolbos) e 59% das exportações de flores cortadas.
A agricultura holandesa, que ocupa apenas 5% da população ativa, é uma das mais intensivas do mundo e permite ao país assumir o terceiro lugar mundial das exportações de produtos agrícolas (depois dos EUA e da França).
No entanto, este brilhante resultado paga-se com a degradação da qualidade das águas que leva a Holanda a utilizarem predadores naturais para protegerem as suas culturas contra doenças e os insetos parasitas, nomeadamente, no setor agrícola que consome muitos produtos químicos.
GAVB


TULIPAS
Delicadas
Aparentemente simples
Naturalmente belas
Singelas, escondem a complexidade
A raridade de uma joia
Discretas
Cativam apenas o olhar atento
O olhar profundo que ultrapassa a superfície
E mergulha no âmago
No interior

Pétalas que se elevam
Em louvor ao céu
Em agradecimento pela vida
Celebram o momento
Intensas e vibrantes
Incomparáveis
Sutis
De presença notável
Sempre presente

                                         Renato Bueloni Ferreira, 2008