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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

CRAZY IN LOVE, de Beyoncé


“Cinquenta Sombras de Grey” fez sair da penumbra a bela voz de Ellie Goulding, com Love Me Like You Do, mas também nos proporcionou a recordação de um grande êxito de Beyoncé: Crazy in Love. Os produtores de “50 Sombras de Grey” não falharam na escolha, pois o mega sucesso de Beyoncé adequa-se na perfeição ao perfil do filme. Crazy in Love faz referência às loucuras que fazemos quando estamos apaixonados; ao descontrolo total que a paixão causa, de tal modo que nos leva a transgredir as regras do bom senso, do carácter e do decoro.
Em 2003, Beyoncé, o produtor Ricky Harrison e Jay-Z construíram uma letra, que a voz e o corpo de Beyoncé completaram na perfeição, para traduzir esse descontrolo obsessivo a que o amor e a paixão nos conduz. Por causa deles cometemos erros, causamos injustiças, ferimos e somos feridos, vivendo um caldeirão de emoções que não conseguimos compreender, justificar, controlar. Fazemos coisas embaraçantes sem vergonha, nem culpa… nem arrependimento.

Este transe emocional passa da letra para a música através do ritmo e da dança. Beyoncé fez questão de gravar um videoclip (também ele premiado com um MTV European Awards) transbordante de sensualidade, onde explicita corporalmente todo o descontrolo emocional que o(a) apaixonado(a) experimenta. Depois há ainda o ritmo: contagiante, sedutor, viciante. Através dele, os sentidos percecionam melhor o poder de uma obsessão amorosa.
A dupla Beyoncé Jay-Z criou uma “bomba musical” que mistura os ritmos & blues com elementos de funk na medida certa, de tal maneira que arrebata o bom senso dos mais certinhos. É irresistível aquela combinação do poderoso e triunfante refrão (uh oh, Uh oh, Uh oh, Uh no no) com a batida herética do hip-hop.

Parece que a melodia foi feita para uma dança sexy de Beyoncé, mas a verdade é que a cantora “apenas” consegue ser a intérprete perfeita para traduzir a loucura sem culpa a que o amor nos conduz.
 Doze anos depois, “50 Sombras de Grey” recuperou este enorme sucesso de Beyoncé, iluminando a sua feição sensual, erótica, perversa. Gosto muito mais da versão original de Beyoncé – aquela paixão incontrolada, louca e selvagem era mais pura, era mais Amor.

Gabriel Vilas Boas


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

LOVE ME LIKE YOU DO, Ellie Goulding



É verdade que “50 Sombras de Grey” foi o maior flop cinematográfico do ano, mas teve o condão de iluminar duas músicas que atingiram o top das preferências musicais durante o ano de 2015: Crazy in Love, de Beyoncé e Love Me Like You Do, de Ellie Goulding.
Gostei especialmente desta última. A voz de Ellie Goulding surpreendeu-me pela sua doçura, beleza e firmeza.  Ellie tem uma voz que consegue transmitir toda a força do refrão: Love me like you do … What are you waiting for? - ao mesmo tempo que exprime uma suavidade de veludo nas várias estrofes da canção. A cantora britânica consegue exprimir a alma da letra, na medida em que dá voz ao duplo papel da apaixonada carente e voraz, que exige e pede em simultaneamente, baralhando por completo as emoções do seu amante.

A inglesa, que atinge os vinte e nove anos daqui a dois dias, completa visualmente o fascínio que a música exerce sobre os nossos sentidos.
Toda a letra acaba por ser um convite ao amor, vivido no limite e sem barreiras. Composta de propósito para o filme mais aguardado do ano, “Love Me Like You Do”, deve ser visto muito mais além do que um convite à transgressão. No fundo, o que o sueco Max Martin (compositor e produtor) pretendia, com esta letra, era inspirar-nos a ser fiéis a nós próprios também no amor e não nos deixarmos aterrorizar por convencionalismos, preconceitos ou medos. O amor deve ser vivido como algo absoluto, onde cada um se expressa com toda a pureza do seu coração.
Inspirado pela letra ou enfeitiçado pela voz de Ellie Goulding, o certo que é Love Me Like You Do tornou-se justamente num dos maiores sucessos musicais de 2015 e que dá imenso prazer tornar ouvir mais uma vez – What are you waiting for?

Gabriel Vilas Boas