Em 19 de janeiro de 1865, Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865) morria, nos arredores de Paris. Foi um dos primeiros socialistas utópicos e o primeiro a autodenominar-se anarquista.
Proudhon era um autodidata, nascido no leste
da França, e defendeu acerrimamente que os trabalhadores deviam deter os bens
produtivos em comum, trabalhando em colaboração uns com os outros de modo
colaborativo, e assim opor-se ao capitalismo e ao poder do Estado.
Em 1840 proferiu a memorável frase «A
propriedade é um roubo!», foi mais longe ao afirmar, algum tempo depois, que a
«Anarquia é a ordem».
“Ser governado é ser vigiado,
inspecionado, espiado, dirigido, ditado pela lei, numerado, regulado, alistado,
doutrinado, criticado, controlado, verificado apreciado, avaliado, censurado,
comandado por criaturas que não têm o direito, nem a sabedoria, nem a virtude
para o fazer. […] É, sob o pretexto da utilidade pública, e em nome do
interesse geral, ser coletado, sugado, espoliado, explorado, monopolizado,
extorquido, pressionado, burlado, roubado; depois, à menor resistência, ao
primeiro queixume, ser reprimido, multado, vilipendiado, assediado, perseguido,
molestado, agredido, desarmado, amarrado, asfixiado, preso, julgado, fuzilado,
deportado, sacrificado, vendido, traído; e, para culminar, troçado,
ridicularizado, escarnecido, ultrajado, desonrado. Isso é o Estado; essa é a
sua injustiça; essa é a suam moralidade."
Pierre-Joseph
Proudhon
Ao contrário daqueles anarquistas do
século XIX que adotaram a chamada «propaganda através atos», que encorajava outros
a levar a cabo a revolução através de bombas e tentativas de assassínio,
Proudhon evitou a violência, mesmo durante a revolução parisiense de 1848 que
deu origem à Segunda República Francesa. O inventor do «anarquismo» preferia a
escrita como meio de fazer avançar a sua causa, e usou-a com energia, como
muito bem o demonstra o energético texto supra citado sobre os malefícios do
Estado. Pena é que nem todos os anarquista fossem como ele!


