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terça-feira, 7 de março de 2017

PRAXES: MAIS HUMILHAÇÃO DO QUE INTEGRAÇÃO


Com o passar do tempo as praxes académicas deixaram de ser algo decente e aceitável. Os exemplos que vemos, ano após ano, um pouco por todo o país, apontam mais para a humilhação dos caloiros do que para a sua integração.
Infelizmente, num passado recente, algumas praxes tiveram um final trágico e criminoso, impossível de olvidar. Mas nem isso serviu para as proibir ou, pelo menos, colocar sob vigilância apertada.
Quer o Ministério da Educação quer as diversas reitorias sempre se mostraram demasiado equívocas com a questão das praxes. Como ficou provado recentemente, as praxes não são «apenas» brincadeiras estúpidas, as praxes são ações perigosas e potencialmente criminosas.


O ideal da praxe degradou-se e vive, agora, à custa de uma ideia de integração do caloiro, que, de facto, já não promove.
A noção de que a praxe integra o caloiro é totalmente falsa. Na verdade, a praxe, na maioria dos casos, afasta e amedronta os jovens universitários. Se perguntássemos a antigos caloiros que importância teve a praxe na sua integração na Universidade, estou em crer que o número de respostas positivas não atingiria os 10%.
A praxe e os seus defensores estão para a vida académica como a tourada está para a sociedade moderna – não é querida, não é bem-vinda, não é precisa. Ambas impõem-se à custa de uma tradição onde quase ninguém se reconhece e que deixou de fazer sentido.


A receção/integração do caloiro tornou-se num evento académico incontornável, a partir do momento em que o negócio decidiu potenciá-lo. De nada vale lutar contra essas festas, porque elas são desejadas por todos. O que vale a pena discutir é a presença da praxe nesse momento iniciático do jovem universitário.
Tentar apelar ao bom senso ou à reformulação das práticas praxistas pelos diversos conselhos de veteranos é coisa inútil. O melhor é mesmo proibir as praxes. Sem mais nem medos. Legislar contra a sua prática, impondo pesadas coimas a quem as pratica, promove ou simplesmente com elas pactua.
Quantas mortes mais serão precisas para fazer o que tem de ser feito?

GAVB