Com o passar do tempo as praxes académicas deixaram de ser
algo decente e aceitável. Os exemplos que vemos, ano após ano, um pouco por
todo o país, apontam mais para a humilhação dos caloiros do que para a sua
integração.
Infelizmente, num passado recente, algumas praxes tiveram
um final trágico e criminoso, impossível de olvidar. Mas nem isso serviu
para as proibir ou, pelo menos, colocar sob vigilância apertada.
Quer o Ministério da Educação quer as diversas reitorias
sempre se mostraram demasiado equívocas com a questão das praxes. Como ficou
provado recentemente, as praxes não são «apenas» brincadeiras estúpidas, as
praxes são ações perigosas e potencialmente criminosas.
O ideal da praxe degradou-se e vive, agora, à custa de uma
ideia de integração do caloiro, que, de facto, já não promove.
A noção de que a praxe integra o caloiro é totalmente
falsa. Na verdade, a praxe, na maioria dos casos, afasta e amedronta os jovens
universitários. Se perguntássemos a antigos caloiros que importância teve a
praxe na sua integração na Universidade, estou em crer que o número de
respostas positivas não atingiria os 10%.
A praxe e os seus defensores estão para a vida académica
como a tourada está para a sociedade moderna – não é querida, não é bem-vinda,
não é precisa. Ambas impõem-se à custa de uma tradição onde quase ninguém se
reconhece e que deixou de fazer sentido.
A receção/integração do caloiro tornou-se num evento
académico incontornável, a partir do momento em que o negócio decidiu
potenciá-lo. De nada vale lutar contra essas festas, porque elas são desejadas
por todos. O que vale a pena discutir é a presença da praxe nesse momento iniciático
do jovem universitário.
Tentar apelar ao bom senso ou à reformulação das práticas
praxistas pelos diversos conselhos de veteranos é coisa inútil. O melhor é
mesmo proibir as praxes. Sem mais nem medos. Legislar contra a sua prática,
impondo pesadas coimas a quem as pratica, promove ou simplesmente com elas pactua.
Quantas mortes mais serão precisas para fazer o que tem de
ser feito?
GAVB


