Provavelmente, a maioria dos professores vai acabar por
anuir à ideia de um ano letivo dividido em semestres. O semestre permite uma
melhor organização do tempo e uma mais eficaz gestão das matérias a lecionar.
Esta putativa alteração na organização do ano letivo trará
inevitáveis modificações no processo de avaliação. Teremos “tensão” até ao
final, pois a nota do segundo semestre confirmará ou porá em causa a nota do
primeiro, sem que o aluno se sinta absolutamente seguro ou derrotado quanto à
sua nota final.
Além deste possível ganho de produtividade, os diretores
esperam amenizar outro grande problema que os aflige: a indisciplina. Nas
escolas com algum historial de casos de indisciplina, são recorrentes os casos
em que os alunos descarregam as suas frustrações escolares durante o 3.º período,
pois sentem que é quase impossível recuperar um número elevado de negativas. É
mais fácil suster os casos de indisciplinas quando todos pensam que “ainda têm
hipóteses”.
Havendo tanta unanimidade em torno desta questão, o que me
intriga é por que não perguntaram os diretores aos seus professores o que
pensavam eles sobre o assunto, antes de fazerem as suas sugestões/exigências ao
Ministério da Educação. Ocorre-me algumas respostas: não querem saber da opinião
dos professores para nada, a escola são eles e os professores estão lá para
cumprir ordens mecanicamente e nada mais; acham que os professores estão tão
mansos que aceitarão tudo sem resmungar nada e por isso resolveram avançar sem esse
pró-forma.
Se repararem bem, isso já acontece em relação a muitos assuntos da
gestão corrente de muitas escolas, como é o caso da politica de transição que a escola quer implementar.
É possível que a organização por semestres se concretize
dentro de um ano. Até lá seria interessante que os professores percebessem que
esta organização convida a uma nova variável: disciplinas semestrais. E nesta
nova e hipotética organização, Geografia e História estão a pôr-se tão a jeito…
GAVB

