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terça-feira, 14 de maio de 2019

PIOR DO QUE O DESPLANTE DO BERARDO É O DESPLANTE DO COSTA


Claro que falta decoro, vergonha e respeito a Joe Berardo quando se ri dos deputados, do governo, do Presidente, dos portugueses , no momento em que é interrogado acerca das suas dívidas , as tais que todos os portugueses ajudaram (ão) a pagar, exceto ele. 
Mas a verdade é que todos mereceram bem aquele "Ahahaha" do madeirense. 

Quem eram os governantes, quando Joe Berardo andou a fazer empréstimos muito além das garantias? A famosa dupla Sócrates/ António Costa. 
Foram eles que autorizaram, eu diria incentivaram, Berardo a pedir dinheiro à Caixa Geral de Depósitos para comprar ações do BCP. Com que fito? Com o objetivo de controlar o banco de Jardim Gonçalves, na altura em rutura com o seu delfim Paulo Teixeira da Cunha. 
O sonho de Sócrates era tornar o BCP no banco do PS como o BPN fora o banco do cavaquismo. E conseguiu-o, pois os portugueses gastaram cinco mil milhões de euros com cada um. 
Os portugueses; não Berardo, não Sócrates, não António Costa. 
O tal que mal entrou no governo obrigou o Estado a recapitalizar a CGD em cerca de quatro mil milhões de euros. 
Culpar Sócrates é fácil, mas o governo não é só de um homem e António Costa era o número dois do executivo de então.

Costa tem o desplante em falar em desplante? Ele que se comprometeu com os professores e agora diz que jamais os professores recuperarão o tempo de serviço? Ele que prefere emprestar dinheiro a gente que sabe que jamais teria condições de pagar em vez de cumprir com quem trabalhou, cumpriu os seus deveres e tinha legítimas expectativas numa progressão na carreira? Costa merece bem todo o desplante de Berardo, não se desse o caso de sermos nós, os portugueses, a pagar a fatura.

Todavia muitos de nós também merecem bem os Costas, os Sócrates e os Berardos que nos couberam em sorte! Andámos anos a apaparicar Joe Berardo, a elogiar o animal político (quando não passava de animal corruptus), como agora achamos que Costa faz bem em não cumprir com os professores, com os enfermeiros, com os polícias.
Lá chegará o tempo em que os "haters" dos professores beberão a cicuta necessária. Quando tiverem de pagar o dobro a maus professores ou a polícia apenas garantir uma segurança minimalista, porque 700 euros é muito pouco para arriscar a vida por gente ingrata, talvez se lembrem do tempo em que os professores, os polícias ou os enfermeiros apenas queriam aquilo que lhes era devido.

Gente pequenina merece Berardos e Sócrates em grande, se possível com condecorações ou selfies presidenciais, como é usual  num país, onde o povo gosta de fazer do bobo da corte.

GAVB 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

QUINTA DA BACALHÔA







Depois de duas semanas de férias ao sol, uma paragem nas margens do sábado desafia-me a subir a bela serra da Arrábida e a atravessá-la de devagar, usufruindo de recortes de natureza únicos.
Entretanto o carro seguiu viagem e só parou em Azeitão, diante da majestática, nobre e monumental Quinta da Bacalhôa, onde agora habita o senhor comendador Joe Berardo.
Não tinha planeado visitar este monumento nacional, que outrora pertenceu à Casa Real Portuguesa. Desde do século XV, o famoso Palácio da Bacalhôa teve proprietários ilustres como o filho de D. João I ou o primogénito de D. Afonso de Albuquerque. É da época dourada da História de Portugal que datam os lindíssimos azulejos que me deixaram de boca aberta assim como as janelas de estilo renascentista.

Todavia, antes da visita ao Palácio, comecei a visita (guiada) pelo Museu da Bacalhôa, onde Joe Berardo já deixou o seu cunho pessoal. Foi lá que pude ver uma excecional exposição sobre África, onde Berardo deixa perceber a sua ligação a África, lado a lado com outro sobre Art déco, que revela o lado de colecionar do comendador. No meio fica a imponente adega, cheia de centenas de barricas de alguns dos melhores vinhos portugueses: o excelente vinho da Bacalhôa estagia em barricas de carvalho francês lado a lado com o memorável moscatel de região. Estava aberto o apetite para uma prova de três vinhos, antes de seguir viagem até ao Palácio da Bacalhôa, onde os caseiros nos esperavam para uma visita guiada especial, pois já estávamos fora de horas.

A simpatia da senhora surpreendeu-me bastante. Com paciência e sapiência guiou-nos sala após sala do piso inferior do Palácio, onde as abóbadas ogivais nos lembram os cinco séculos do edifício e os azulejos recordam que o outrora Palácio dos Albuquerques tinha o justo estatuto de tesouro artístico de Portugal. Durante mais de uma hora percorri salas magníficas, um jardim trabalhado e decorado com o rigor de um geómetra, onde o nome da antiga proprietária Orlena Scoville estava inscrito e caminhei por entre as vinhas, onde Berardo e família fazem anualmente a sua vindima privada, numa festa imensa que celebra a vida, a amizade e o vinho. Ao que parece, no final, acabam todos na deslumbrante piscina do lago.

Eu, por mim, ficava ainda mais uns minutos sentado numa daquelas poltronas da casa da Justiça, que fica sobranceira sobre o lago, admirando a extensa vinha madura. Se lá tivesse um copo do saboroso tinto da Bacalhôa seria excecional…

Gabriel Vilas Boas