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terça-feira, 9 de maio de 2017

DESABITUA-TE!



“Habitua-te!”
Quem não já ouviu isto, em jeito de conselho à resignação? Quase todos nós. E talvez seja das coisas mais terríveis de se dizer a alguém, especialmente quando nos pedem algo que não é justo e que não nos faz bem.
Já não basta a sociedade de consumo nos querer tornar num conveniente animal de hábitos, também temos de levar com os fáceis conselhos de quem acha que desistir é a solução.
Não temos que nos habituar à mediocridade, venha ela do miserável salário que nos pagam, do modo descortês com que nos tratam, da comida que o shopping nos quer meter pela goela abaixo, dos programas de televisão que nos querem obrigar a ver, do tipo de relação social que os outros praticam mas que nos deixa insatisfeitos…


É verdade que os hábitos nos organizam a vida, mas também é verdade que nos destroem a personalidade e nos tornam pouco mais que um número e absolutamente previsíveis.
Quando nos pedem que nos habituemos a qualquer coisa, situação ou pessoa, muitas vezes, pensam que essa atitude de resignação nos será mais útil, como se um mal menor não deixasse de ser um mal, mas isso não é verdade. 

A solução para uma relação mal resolvida, uma profissão insatisfatória, um estilo de vida decadente é arrasar com esses maus hábitos.
Desabitua-te! Não és um hábito, és uma pessoa. Quando um hábito deixou de ser uma zona confortável, não tens mais de o aguentar.
Desconstruir. Aceitá-lo e aprender a fazê-lo. Não como uma derrota, mas como uma correção de rota. Apenas isso, apenas isso…

Gabriel Vilas Boas 

domingo, 4 de setembro de 2016

HÁBITOS INFELIZES


O pior da infelicidade é quando ela se torna um hábito e a aceitamos como uma inevitabilidade.
O estado de desistência é tal que já nem sabemos exatamente aquilo que nos faz infelizes. No entanto, a infelicidade (que outrora foi apenas insatisfação) tem razões objetivas. Muitas vezes, deixamos enraizar em nós hábitos altamente nocivos que nos tornam infelizes compulsivos.

Um hábito típico das pessoas infelizes é acharem-se constantemente vítimas da vida. A vida é dura às vezes, mas não sempre. Há momentos de sorte para todos, mas os “agarrados à infelicidade” tendem a desvalorizar esses momentos ou nem a contabilizá-los. Aa diferença é que uns focam-se na resolução dos problemas, outros comprazem-se numa atitude de comiseração.


Outra atitude típica do infeliz é pensar que a maioria das pessoas não é confiável. A confiança constrói relações felizes, a desconfiança fecha a porta à descoberta de novos amigos. Os estranhos são novas oportunidades de amigos e não potenciais adversários, mas nem todos veem a coisa segunda esta perspectiva...

Quem se acostuma com a infelicidade tem ainda outro desagradável pensamento: tudo no mundo está errado e mal feito, ou seja, tem sempre um discurso muito negativo face à realidade. 
Desgraçadamente, este hábito atrai outro: considerar sempre o futuro com preocupação e medo. Na voz do infeliz militante o mundo está sempre para acabar e caminhamos inexoravelmente para o precipício moral, económico, social. Apesar de o mundo acabar amanhã, eles optam por ser infelizes hoje...


Talvez esta permanente perspetiva negativa nasça de um hábito que algumas pessoas cultivam e que as torna, na maioria das vezes, infelizes: a necessidade de controlarem tudo. Ninguém controla tudo, isso é impossível. Desenvolver essa crença só pode ter como resultado o fracasso e a infelicidade. 
Sem se darem conta, as pessoas infelizes estão constantemente a comparem-se. É o vizinho que teve mais sorte, é a amiga que tem isto e aquilo que ela não tem, etc. Ora isto leva à inveja e ao ressentimento. A amargura vem logo a seguir...
gavb