José Wilker morreu ontem, no seu Brasil, vítima de enfarte cardíaco. Faleceu o ator do mítico Roque Santeiro, o Mundinho de “Gabriela, Cravo e Canela”, o Vadinho do imortal “Dona Flor e seus dois maridos”.
Li a notícia ao final da manhã, enquanto tomava café, e a notícia tornou o momento triste assim como quase o resto do dia. Recordei as memórias que tinha do ator e, surpreendido, verifiquei que eram todas boas, alegres, descontraídas. Por causa do seu talento acompanhei, religiosamente, telenovelas nos anos 80 e 90 do século passado que entretanto deixei de ver.
Aquele jeito único com que dizia “se prepare que eu hoje vou-lhe usar” fixou-se na memória coletiva de milhões de portugueses e brasileiros que, no dia de hoje, recordarão com um sorriso suave a categoria dum homem que nos prendia ao ecrã depois do telejornal. Se fosse hoje, seria igual, porque quando um texto de Jorge Amado encontra a interpretação dum José Wilker, um Lima Duarte ou uma Regina Duarte não há telespectador que resista ao encanto.
José Wilker teve uma vida cheia e boa. Costumava dizer sobre si que “era o maior malandro que conhecia… que mais trabalhava”. E trabalhou imenso. Participou em mais de cinquenta telenovelas, foi personagem em mais de sessenta filmes, contracenou com atores famosos como Regina Duarte, Lima Duarte ou Suzana Vieira e acrescentou-lhes brilho com o seu desempenho. Tornou “Dona Flor e seus dois maridos” um sucesso de bilheteira que não envergonha a mestria da obra literária; ajudou a lançar dezenas de jovens atores, emprestando o seu nome e o seu talento a produções onde muitos iniciaram o seu percurso televisivo, cinematográfico e teatral. Talvez por isso, a presidente brasileira Dilma Rousseff tenha dito que ele “era um exemplo de dedicação à arte”. Outros falam da sua grande disponibilidade para o trabalho, do “ator culto e peculiar” que já me tinha ficado na memória há vinte e seis atrás quando ocupava as minhas noites a ver os seus hilariantes diálogos com Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e Porcina (Regina Duarte). Aquele falar arrastado, atrevido e divertido desconcertava-me.
Hoje, uma notícia infeliz no jornal fez-me voltar a pensar nele. E pensei que não devia escrever sobre ele, hoje, pois a morte é uma coisa triste cuja única resposta decente que merece é o silêncio. No entanto, a memória das suas atuações perseguiu os meus pensamentos todo dia, numa insistência comovedora que me leva a dizer-lhe, caro José Wilker: “Se prepare, que eu hoje vou-lhe usar”.
José Wilker teve uma vida cheia e boa. Costumava dizer sobre si que “era o maior malandro que conhecia… que mais trabalhava”. E trabalhou imenso. Participou em mais de cinquenta telenovelas, foi personagem em mais de sessenta filmes, contracenou com atores famosos como Regina Duarte, Lima Duarte ou Suzana Vieira e acrescentou-lhes brilho com o seu desempenho. Tornou “Dona Flor e seus dois maridos” um sucesso de bilheteira que não envergonha a mestria da obra literária; ajudou a lançar dezenas de jovens atores, emprestando o seu nome e o seu talento a produções onde muitos iniciaram o seu percurso televisivo, cinematográfico e teatral. Talvez por isso, a presidente brasileira Dilma Rousseff tenha dito que ele “era um exemplo de dedicação à arte”. Outros falam da sua grande disponibilidade para o trabalho, do “ator culto e peculiar” que já me tinha ficado na memória há vinte e seis atrás quando ocupava as minhas noites a ver os seus hilariantes diálogos com Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e Porcina (Regina Duarte). Aquele falar arrastado, atrevido e divertido desconcertava-me.
Hoje, uma notícia infeliz no jornal fez-me voltar a pensar nele. E pensei que não devia escrever sobre ele, hoje, pois a morte é uma coisa triste cuja única resposta decente que merece é o silêncio. No entanto, a memória das suas atuações perseguiu os meus pensamentos todo dia, numa insistência comovedora que me leva a dizer-lhe, caro José Wilker: “Se prepare, que eu hoje vou-lhe usar”.
Gabriel Vilas Boas