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quarta-feira, 1 de março de 2017

COM AS CESARIANAS O NEGÓCIO É MAIS FÁCIL


Podem o governo e as instituições médicas internacionais fazer as campanhas que quiserem que a taxa de cesarianas em Portugal continuará alta. Atualmente uma em cada quatro mulheres portuguesas que são mães num hospital público, tem de recorrer à cesariana. Se tivermos a falar de um hospital privado o número dispara para 66% dos partos efetuados com recurso à cesariana, ou seja, duas em cada três mulheres.
A grande conclusão a retirar é que as mulheres que podem pagar um parto “privado” querem-no com cesariana. Muitas vezes, a possibilidade de escolherem entre parto natural e cesariana é determinante na seleção do local onde querem ter o seu bebé.

Podem os estudos dizer que a obesidade e a diabetes, em crescimento entre as mulheres em idade fértil, justificam o elevado número de cesarianas, mas as mulheres sabem perfeitamente que a razão principal é o conforto, a diminuição drástica da dor que o parto por cesariana traz à mulher.
Por outro lado, os hospitais privados sabem que, sem cesariana, o interesse das parturientes pelos seus serviços diminuiria consideravelmente, por isso vão continuar a promovê-las, até porque assim há um conjunto de serviços médicos que se pode acrescentar à conta.
Um estudo recente demonstra que as cesarianas fazem com que os bebés nasçam cada vez maiores e mais pesados, ou seja, quem começa com uma cesariana ainda fica com mais receio de tentar um parto natural, numa segunda gravidez.

As razões que sustentam o desaconselhamento das cesarianas são ponderosas, mas não tanto que levem a mulher portuguesa a mudar de opção, desde que tenha carteira para pagar.
No momento da decisão, o medo cénico e real do parto empurra muitas mulheres para a cesariana. No entanto, convém lembrar que a cesariana obriga àquele «pequeno pormenor» da anestesia geral, que faz gelar qualquer um. Por isso, penso que não é levianamente que uma mulher opta pelo parto com cesariana.
Com os dados médicos atuais, acho que devemos respeitar a sua opção, até porque num parto não devemos apenas ter em conta a evolução futura do corpo humano, mas também a saúde do bebé e da mãe.

GAVB