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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

METROPOL PARASOL, Sevilha


Se há coisa que faz falta em Sevilha é algo que abrigue o turista do sol. Talvez pensando nisto, o arquiteto germânico Jurgen Mayer propôs para a capital da Andaluzia um gigantesco para-sol, utilizando como material base a madeira, que cobre por completo a plaza de la Encarnación.
O projeto do alemão foi o vencedor de um concurso internacional em 2004 e demorou quase sete anos a ser concretizado. Noventa milhões de euros depois, Sevilha teve direito à seu primeiro grande ícone modernista dentro do casco histórico.

Batizada por Mayer como Metropol Parasol (“guarda-sol de metropolitano”), é conhecido pelos sevilhanos como Os Cogumelos, devido à forma que apresenta. A estrutura desenhada pelo alemão é construída em madeira com treliças ortogonais de 1,5 x 1,5m, com 150 metros de comprimento por 75 metros de largura e 28 metros de altura.
Os seus cogumelos gigantes, que formam a cobertura, sobressaem sobre os edifícios circundantes e parecem dançar sobre a plaza de la Encarnación, inundando-a de sombra e frescura na primavera e verão,  o que qualquer turista agradece sempre que visita Sevilha entre Maio e Setembro.

Visitei este ícone da modernidade arquitetónica sevilhana há uma semana, por insistência da minha filha. Chegamos já noite feita, mas ainda assim tivemos de ir para a fila para comprar bilhete a fim de subir aos andares superiores do Metropol Parasol. Lá fica um bar-restaurante bastante apelativo e um miradouro fabuloso, onde é possível ter uma imagem belíssima sobre o Centro Histórico de Sevilha, só comparável com aquela que Torre Giralda, da Catedral de Sevilha, proporciona. Este miradouro não é um local único, mas uma série de pontes que serpenteiam toda a estrutura superior dos cogumelos, permitindo percecionar Sevilha de vários ângulos.

O tom creme da estrutura permite conjugar a linguagem ultramoderna da proposta arquitetónica de Mayer com o ambiente medieval e tradicional do casco histórico sevilhano.

Os sevilhanos fazem um uso muito diversificado desta estrutura. Além de proteger do sol e do calor e permitir uma visão assombrosa de Sevilha, nos pisos subterrâneos existe o museu arqueológico de Sevilha. Ainda ao nível do solo existem lojas de comércio e restaurantes. 
Na plaza mayor, abundam recantos encantadores, bares, restaurantes e uma variedade de atividade cultural e lúdica.
A criação de Mayer pode ter sido polémica, demorado o dobro do tempo previsto a ser construída e ter custado quase cem milhões de euros, mas… é muito bonita, atrai turistas, melhorou a qualidade de vida dos sevilhanos, requalificou uma zona feia da cidade e constitui já um polo económico relevante.
GAVB

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

UMA CAPELA NA PRAÇA DE TOUROS



Ontem, visitei com a minha filha a Praça de Toiros de Sevilha. Tinha uma certa expectativa de ver as suas entranhas, de percorrer a arena, perscrutar nas bancadas vazias aquilo que atraí tanta gente para um ato – tourear o touro para depois o matar na arena – que tem tanto de tradição como de bárbaro. Não consegui.
A esmagadora maioria dos visitantes era turista e a tourada era mais uma atração da cidade como a Torre do Ouro ou o Flamenco, mas para os sevilhanos (homens e mulheres), a tourada não se discute; é parte deles.



O interior da praça incluía um museu taurino, onde aquilo que mais me impressionou foi uma série de cabeças humanas de madeira, penduradas na parede e que a guia explicou que eram usadas para os jovens candidatos a cavaleiros profissionais treinarem a mira. Pareceu-me algo sinistro, um modo desastrado de treinar a técnica.
No entanto, aquilo que mais me chamou a atenção foi a pequena capela que a Praça de Toiros tinha (ao que parece todas têm) e que se situava imediatamente antes da porta de entrada principal dos cavaleiros e toureiros na arena. Explicou a guia que por lá passava toda a gente  envolvida na corrida de touros, exceto o touro...

Que sentido faz uma capela numa praça de touros? É o touro que precisa de proteção divina, de um milagre, não o toureiro ou o cavaleiro.
Que pedirá o toureiro naqueles minutos antes da lide? Que Deus o ajude a massacrar e a matar o touro com “estilo”? Que o touro antes de morrer cruelmente se ajoelhe perante si? Como pode o Homem Cristão pedir ajuda divina para matar um ser vivo, para gáudio da assistência? Que achará Deus desta subversão completa dos seus ensinamentos? 
Mais perverso do que o ser humano querer racionalizar e justificar aquilo que em si é instinto, é querer torná-lo santo!

Gabriel Vilas Boas