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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

OS BISPOS FALAM SOBRE SEXO COMO SE FOSSEM ENTENDIDOS NO ASSUNTO



As declarações do Cardeal Patriarca de Lisboa sobre o comportamento sexual dos recasados (católicos casados em segundas núpcias, com a concordância da Igreja) são ridículas, provocatórias, abusivas, censuráveis.



Então o senhor D. Manuel Clemente “ordena” aos recasados que se abstenham de manter relações sexuais com a pessoa com quem vivem como marido e mulher? A que propósito? Quer ser ele a ditar o tipo de comportamento afetivo que os casais católicos podem ter? Será que o senhor bispo tem a noção do que “recomendou”? Um abuso completo esta sugestão da Igreja sobre com quem e em que condições os cristãos casados ou recasados podem ter relações sexuais.

Não deixa de ser inquietante que bispos e padres gastem o seu tempo em recomendações, exortações, proibições sobre uma matéria que não dominam e que claramente não devia estar no núcleo central das suas preocupações. Com tanta mensagem sobre a doutrina de Cristo para passar, com tanto foco social em que se deter, D. Manuel Clemente achou por bem dar palpites sobre sexo, como se fosse um entendido na matéria. 

Há realmente muitos nós por desatar e compreender naquelas cabeças: o sexo é uma manifestação física de amor; o sexo não é, regra geral, entre casais, algo de perverso e diabólico, ao contrário do que temem muitos membros da Igreja.

Ao contrário do que diz o diretor do serviço Pastoral e Familiar do Patriarcado de Lisboa, os cristãos entenderam muito bem a mensagem de D. Manuel Clemente e grande parte deles não a subscrevem. Aliás, se pensarmos bem, o conceito de “recasado” que muitos bispos e padres foram obrigados a engolir, por determinação do Papa Francisco, pretende repor a dignidade católica a muitos casais de divorciados que viviam maritalmente e desejavam que a Igreja abençoasse a sua união. D. Manuel e todos aqueles que pensam como ele querem impor a estes casais uma espécie de celibato eterno.

O diretor do Serviço Pastoral e Família diz que “não é D. Manuel que aconselha, é o Papa João Paulo II” , numa exortação apostólica de 1981! 
Caríssimo, estamos em 2018, entretanto passaram 37 anos, mudámos de século, o Vaticano já teve um papa que resignou e atualmente o sucessor de Pedro chama-se Francisco. Atualizem lá os ficheiros do Patriarcado e deixem-se de recomendações tontas.

GAVB