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sábado, 8 de abril de 2017

DIVERTIR-SE É DIFERENTE DE ABANDALHAR-SE


Impossível não reparar em duas notícias das últimas horas: “Mil estudantes portugueses expulsos de hotel em Espanha” e “Copos, chapéus e cavalos: a festa do Grand National”.
Ambas as notícias referiam os excessos cometidos por muitos jovens em momentos de lazer e divertimento. Em Espanha, um milhar de jovens portugueses foi posto na rua e viu as suas viagens de finalistas terminar de modo abrupto e lamentável, depois de terem ultrapassado todas os limites comportamentais; em Inglaterra. um importante evento hípico é destaque pelo abuso do álcool e o alto nível excentricidade de algumas indumentárias.

O divertimento não tem que ser uma cerimónia religiosa, mas dispensa bem ser a bandalheira em que muitas vezes se torna. É triste observar a impotência que muitos jovens (e menos jovens) têm em criar momentos agradáveis e de puro divertimento sem recorrer ao álcool ou a um comportamento deplorável.
Beber pode ser entusiasmante, libertador e até divertido, mas apenas até um certo número de copos; a partir de um dado limite é apenas repugnante. Não consigo entender que prazer e divertimento podemos tirar da participação em situações degradantes em que apenas expomos o pior de nós.  

Não se trata de impor um modelo de divertimento nem proibir a excêntrica afirmação de muitos jovens, mas apenas de os questionar sobre que prazer conseguem extrair de tanta bandalheira. Que divertimento é esse que apenas se afirma num estado de inconsciência e incorreção? É assim tão necessário um estádio de alienação coletiva para nos divertirmos? Não é possível ser excêntrico, criativo, alegre, bem-disposto sem ser desagradável e inconveniente? Certamente que sim.  
A irreverência pode e deve ajudar à afirmação de uma personalidade, mas é bom que exista algo mais do que o simulacro de uma personalidade.

GAVB