Impossível não reparar em duas
notícias das últimas horas: “Mil estudantes portugueses expulsos de hotel em
Espanha” e “Copos, chapéus e cavalos: a festa do Grand National”.
Ambas as notícias referiam os
excessos cometidos por muitos jovens em momentos de lazer e divertimento. Em Espanha,
um milhar de jovens portugueses foi posto na rua e viu as suas viagens de
finalistas terminar de modo abrupto e lamentável, depois de terem ultrapassado
todas os limites comportamentais; em Inglaterra. um importante evento hípico é
destaque pelo abuso do álcool e o alto nível excentricidade de algumas
indumentárias.
O divertimento não tem que ser
uma cerimónia religiosa, mas dispensa bem ser a bandalheira em que muitas vezes
se torna. É triste observar a impotência que muitos jovens (e menos jovens) têm
em criar momentos agradáveis e de puro divertimento sem recorrer ao álcool ou a
um comportamento deplorável.
Beber pode ser entusiasmante,
libertador e até divertido, mas apenas até um certo número de copos; a partir
de um dado limite é apenas repugnante. Não consigo entender que prazer e divertimento
podemos tirar da participação em situações degradantes em que apenas expomos o
pior de nós.
Não se trata de impor um
modelo de divertimento nem proibir a excêntrica afirmação de muitos jovens, mas
apenas de os questionar sobre que prazer conseguem extrair de tanta bandalheira.
Que divertimento é esse que apenas se afirma num estado de inconsciência e
incorreção? É assim tão necessário um estádio de alienação coletiva para nos
divertirmos? Não é possível ser excêntrico, criativo, alegre, bem-disposto sem
ser desagradável e inconveniente? Certamente que sim.
A irreverência pode e deve
ajudar à afirmação de uma personalidade, mas é bom que exista algo mais do que o
simulacro de uma personalidade.
GAVB